Três museus paulistas estarão fechados ao público em 2020

BRUNO MOLINERO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No primeiro semestre do ano que vem, três museus ligados ao governo de São Paulo estarão fechados ao mesmo tempo para obras e restauro: o Museu Paulista (conhecido popularmente como Museu do Ipiranga), o Museu da Língua Portuguesa e a Casa das Rosas.

O primeiro é o que tem o processo de reforma mais longo e enroscado, quase uma novela. Fechada em 2013, quando foi detectado um risco iminente de queda do forro, a instituição teve sua reforma iniciada apenas em setembro deste ano. A previsão é que a reabertura seja feita no dia 7 de setembro de 2022, quando será celebrado o bicentenário da Independência do Brasil.

Além de mudanças como a construção de um acesso subterrâneo e a abertura do sótão com um mirante com vista para o parque da Independência, o museu pode também ter a sua gestão trocada.

Atualmente ele é um dos museus da USP, usado como unidade de pesquisa da universidade. Quando for reaberto, uma das possibilidades é que seja designada uma organização social para o comando do espaço, como ocorre em praticamente todas as instituições de cultura vinculadas ao estado.

"Vamos contratar uma consultoria em 2020 para nos ajudar no processo de escolha de como será a futura gestão", afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa do governo, Sérgio Sá Leitão. "Não temos nenhum dogma. Mas temos, no geral, uma simpatia pelo modelo com organização social", completa.

A reforma vai custar ao todo R$ 178 milhões, sendo que R$ 168 milhões já foram captados com empresas, sobretudo via Lei Rouanet. Segundo Sá Leitão, os outros R$ 10 milhões serão levantados da mesma forma nos próximos anos.

Com números mais modestos, o Museu da Língua Portuguesa está fechado desde 2013, quando foi atingido por um incêndio, e tem reabertura prevista para junho de 2020 -o prédio já está pronto e recebe agora os equipamentos para exposições e atividades.

O restauro custou no total R$ 81,4 milhões, sendo que R$ 36 milhões vieram do seguro contra o incêndio e o restante foi levantado com empresas como Itaú, Sabesp, EDP e Fundação Roberto Marinho, ligada à Globo. Cerca de R$ 4 milhões saíram dos cofres da Secretaria de Cultura.

Mais do que uma mera reprodução do espaço que foi consumido pelo fogo, o novo museu ganhará uma entrada ligada à Estação da Luz, um terraço com café e vista para o parque da Luz e novidades no conteúdo, como uma sala dedicada ao slam e à literatura produzida nas periferias.

A expectativa do governo é que 600 mil pessoas passem por ano pelo espaço. Para comparação, o Masp, uma das instituições mais visitadas de São Paulo, teve aproximadamente 500 mil visitantes em 2018 -o número de 2019 ainda não está fechado, mas será maior por causa da mostra sobre Tarsila do Amaral, que recebeu mais de 400 mil pessoas.

Sá Leitão não acha, porém, que a expectativa no Museu da Língua Portuguesa seja exagerada. "Há um interesse cada vez maior por atrações culturais de São Paulo. É um número realista, sobretudo pelo perfil do museu, que é tecnológico, imersivo, interativo", acredita.

Por fim, a Casa das Rosas -casarão na avenida Paulista que funciona como um museu literário- vai ser fechada no primeiro semestre do ano que vem para solucionar problemas de estrutura.

A obra no imóvel da década de 1920 tem custo de R$ 4,2 milhões, sendo que 80% desse valor virá do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça, que reúne verbas de multas e condenações, enquanto 20% virá da secretaria.

Ainda não há prazo para a interdição, mas a expectativa é que isso ocorra entre março e abril. Nessa época será levantada uma tenda no jardim da casa, onde ocorrerão recitais, saraus e palestras. As atividades continuadas, como os cursos, serão deslocadas para as casas Guilherme de Almeida e Mário de Andrade.

"A casa passa por um processo degenerativo natural e precisa recuperar características originais", conta Marcelo Tápia, diretor da instituição.

Ele acrescenta que, durante a reforma, os cerca de 20 mil livros do acervo do poeta Haroldo de Campos, guardados na Casa das Rosas, ficarão disponíveis para pesquisadores na sede da Poiesis, organização social que administra o local.

No projeto enviado para o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), havia previsão de que fosse construída também uma sala multiuso no subsolo da parte de trás da casa, onde hoje funciona um café. Mas a ideia foi abandonada por causa dos custos e do prazo da obra.

Com 15 anos completos em dezembro, a Casa das Rosas recebeu quase 450 mil visitantes neste ano, segundo cálculos do governo.