Toque retal dói? 7 respostas sobre exames de próstata para você saber

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Toque retal dói? 7 respostas sobre exames de próstata

Embora seja usado há muito tempo – bem antes da existência de exames de sangue ou raio x—, ainda há muito tabu em relação ao exame de toque retal, comumente solicitado por médicos para detectar o possível surgimento de câncer de próstata.

O tumor de próstata é o principal tumor maligno no homem maduro depois do câncer de pele não melanoma. Para este ano a previsão do INCA (Instituto Nacional do Câncer) é de 65 mil novos casos com cerca de 15 mil mortes.

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O câncer de próstata não costuma apresentar sintomas nas fases iniciais, justamente quando 90% dos casos podem ser curados se diagnosticados precocemente.

Apresentar sinais pode significar já estar em uma fase mais avançada da doença ou a coexistência de outros problemas da próstata, que inclusive podem confundir os desavisados, já que podem se assemelhar aos de outras afecções da bexiga e da próstata.

“Entre eles estão a vontade de urinar com frequência, presença de sangue na urina ou no sêmen e, em estágios mais avançados, retenção ou perda urinária, diminuição involuntária de peso, dores nos ossos, coluna e quadris e desconforto no períneo (região entre o ânus e a bolsa escrotal) ou na região abaixo do umbigo”, alerta Roni de Carvalho Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e diretor de comunicação da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

  • O toque retal é o único exame para detectar câncer de próstata?

Além do toque retal, o teste mais importante na detecção do câncer de próstata é o PSA.

É um exame de sangue simples disponível tanto na rede pública quanto na privada de saúde e, quando interpretado da forma correta, ajuda a levantar a suspeita de câncer de próstata. A realização de toque associado ao PSA aumenta as chances de um diagnóstico correto.

“Outro exame que pode auxiliar é a ressonância magnética multiparamétrica de próstata, mas é uma opção mais cara e com acesso limitado à população (mesmo em países do primeiro mundo, como nos EUA) e, ao menos por enquanto, não substitui o PSA e o toque retal”, completa Fernandes.

  • O exame só deve ser feito quando algum sintoma aparece?

Não. Como o câncer de próstata se inicia em uma região externa da próstata, não provoca sintomas no início da doença, momento importante para o tratamento e cura.

  • Para quem o exame é recomendado?

Alguns fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata são: histórico familiar de câncer de próstata em pai, irmão ou tio e homens da raça negra.

A recomendação da SBU é que os homens, a partir de 50 anos, mesmo sem apresentarem sintomas, devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada.

Aqueles que integrarem o grupo de maior risco devem começar seus exames mais precocemente, pelo menos a partir dos 45 anos.

Após os 75 anos, a recomendação é que seja oferecida a avaliação para homens assintomáticos somente se houver uma perspectiva de vida maior do que 10 anos.

  • Esses exames servem apenas para detectar câncer de próstata?

Não. O toque retal faz parte do exame físico (todos os médicos estão habilitados para fazê-lo) e traz uma série de informações úteis, como avaliação dos casos de sangramento ou dor anal, hemorroidas, fístulas e outros cânceres como o de reto, que é também um dos mais frequentes na população acima de 40 anos.

“O exame também auxilia na detecção das outras duas doenças prostáticas mais frequentes, que são a prostatite (inflamação da próstata que chega a atingir cerca de 30% dos homens) e a HPB (hiperplasia prostática benigna)”, explica o professor da Santa Casa de São Paulo.

  • O exame de toque retal dói?

Não, o toque não é um exame doloroso. Ele é feito com lubrificação adequada e é importante ressaltar que, quando realizado por um profissional experiente, é um exame rápido, que dura poucos segundos, e simples – sem a necessidade de tecnologias avançadas.

“Precisamos vencer o preconceito relacionado aos procedimentos nessa região e realizar com naturalidade os exames que nos ajudem a detectar precocemente essas doenças, tão sérias, tratáveis e curáveis quando detectadas precocemente”, diz Karin Jaeger Anzolch, urologista e membro da Comissão Permanente de Comunicação da SBU.

  • O que precisa ser feito antes do exame?

De acordo com Anzolch, nenhum preparo para o exame é necessário. O paciente não precisa fazer jejum, depilação, uso laxantes ou lavagem intestinal, apenas uma higiene íntima básica como um banho habitual é recomendado – embora nem mesmo a falta deste seja limitante.

  • Por que não posso fazer só o PSA?

Apesar de o PSA ser considerado o exame de sangue auxiliar para detecção de tumores mais bem-sucedido até o momento, a médica aponta que ele também não é perfeito

“Há casos em que o resultado aparenta estar normal e pode já haver um câncer significativo, e em outros, apresenta níveis alterados sem a presença do tumor. Por isso se associou o toque retal para melhorar a sua performance. Sabemos que quando ambos os exames estão normais, a confiabilidade para dizer que está tudo bem e tranquilizar o paciente é de pelo menos 90%.”

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