Tony Tornado faz Thiago Oliveira chorar no programa É de Casa

*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL 18.11.2019 Tony Tornado (ator e cantor). Coquetel da 17ª edição do Troféu Raça Negra 2019, na Sala São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL 18.11.2019 Tony Tornado (ator e cantor). Coquetel da 17ª edição do Troféu Raça Negra 2019, na Sala São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na véspera do Dia da Consciência Negra, o cantor e ator Tony Tornado, 92, fez o apresentador Thiago Oliveira,, chorar ao contar a sua história de vida e militância contra o racismo, no programa É de Casa (Globo) neste sábado (19). Ele relembrou a pobreza, carreira, sua história de resistência e todos os obstáculos que enfrentou ao longo da vida.

O veterano, que nasceu no interior de São Paulo e se mudou para o Rio de Janeiro, relembrou o começo da vida na cidade maravilhosa. "Morei na favela, no morro de São Diogo, atrás da Central do Brasil, já com 12 anos. Aí, vendia bala puxa, amendoim, figurinha no trem e corria da polícia, claro", disse.

Um dos momentos mais emocionantes da entrevista foi quando Tornado contou chorando que pediu ajuda para os mesmos policiais que corriam atrás dele para arrumarem uma escola para os seus filhos. Neste momento, Oliveira não segurou as lágrimas. "Porque, nessa vida, não vai acontecer nada, não vou conseguir nada mais de útil a não ser vender amendoim e bala puxa. E me arranjaram uma escola", disse Tornado.

O artista também falou da perseguição durante a Ditadura Militar e da sua representatividade como um dos precursores do movimento Black Power no Brasil. Ele disse que tentou mostrar aos negros que seus cabelos representavam força e identificação.

O cantor lembrou da sua participação no Festival Internacional da Canção e da vitória com a música "BR-3". "Fui a grande zebra do festival, e foi pela minha coragem. Cantei 'BR-3'. Na época ela ganhou uma outra conotação, queriam fazer de tudo para me calar, porque eu era tido como porta-voz dos negros."

O cantor falou ainda da sua prisão no mesmo festival ao subir no palco e erguer o braço e o punho quando Elis Regina, presidente do júri, cantou "Black is Beautiful". Ele contou que desceu do palco algemado, mas tinha conseguido mostrar para todos que o negro é lindo. "Tenho muito orgulho de ser negro. Fui preso, mas com muito prazer, muita satisfação."

Emocionado, Oliveira terminou a entrevista desabafando que ao falar com Tornado passou um filme na sua cabeça. Ele contou que começou na carreira aos 18 anos e que buscava uma referência assistindo televisão, no palco e no teatro. "Obrigado por ser essa potência, voz, arte, luz e esperança para todos nós. Você abriu as portas para a gente estar aqui hoje", disse chorando.

Nas redes sociais, internautas falaram do talento e da lucidez de Tornado aos 92 anos. "Emocionante ver um artista completo que, aos 92 anos, se mostra tão lúcido. Tão competente. Parece um senhor de 60, 70 anos. Tony é luta, resistência e história pura. Viva a música negra!", tuitou um usuário da rede social.

Outros internautas compartilharam uma frase dita pelo cantor sobre o racismo: "Quando duas mãos se encontram refletem no chão a sombra de uma mesma cor."