Tom Cruise declara seu lado na guerra: seus filmes nunca vão estrear no streaming

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Tom Cruise foi homenageado na 75ª edição do Festival de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)
Tom Cruise foi homenageado na 75ª edição do Festival de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)

Por Guilherme Jacobs, de Cannes

Tom Cruise é a última estrela de cinema. Claro, há outros astros cuja fama e salário são comparáveis ao do astro de "Missão: Impossível" e "Top Gun: Maverick", mas só ele se mantém fiel ao cinema de forma tradicional. Sem séries de TV, sem streaming, sem super heróis. Ciente de sua posição como, talvez, o último ator capaz de garantir uma boa bilheteria apenas com seu nome, ele assumiu a posição de defensor da tela grande. Em Cannes, ele escolheu seu lado na guerra.

“Estamos todos juntos. Todos falando idiomas diferentes. Culturas diferentes, ideias diferentes sobre arte, cinema, narrativa, mas estamos unidos porque podemos nos reunir como comunidade e compartilhar experiências”, disse Cruise durante uma retrospectiva de sua carreira nos Palácios dos Festivais de Cannes, enfatizando a importância comunal de ter pessoas juntas no mesmo lugar.

Nos últimos dois anos, Cruise fez um vídeo no qual retornou aos cinemas para ver "TENET", de Christopher Nolan, em plena pandemia. Ele também foi gravado dando uma bronca em membros da produção de "Missão: Impossível - Dead Reckoning", que supostamente estavam quebrando protocolos de distanciamento social e colocando o set em risco. “Estamos criando milhares de empregos. Eu não quero ver isso de novo! Nunca mais! E se vocês não fizerem isso, estão despedidos”, gritou na época.

E, mais recentemente, uma longa reportagem do Hollywood Reporter sobre o relacionamento do astro com o estúdio Paramount - casa de seus grandes blockbusters - mostrou a resistência de Cruise ao streaming. Ele bloqueou derivados de "Missão: Impossível" e "Dias de Trovão" para o Paramount+ e está numa luta interna para impedir seus filmes de serem adicionados à plataforma 45 dias depois da estreia, como acontece com outros projetos da Paramount e de outros estúdios, como Universal e Warner Bros.

“Eu entendo de negócios. Eu tenho estudado e aprendido o tempo todo, e filmes… Há um jeito muito específico de fazer filmes para cinema, e eu faço filmes para a tela grande. Eu sei pra onde eles vão depois da telona, e tudo bem, mas eu sempre pensei em filmes não só para [a bilheteria do] fim de semana de estreia, mas para a distância”, explicou, deixando implícito sua justificativa contra a janela de 45 dias.

“Você quer fazer um filme para entreter e engajar uma audiência não só no primeiro fim de semana, não só alguns meses, mas mais adiante. E eu amo essa experiência. Eu quero essa experiência não só pra mim, porque sei que há outras pessoas que querem o mesmo, mas quero que outros cineastas tenham essa experiência.”

“É maravilhoso quantos filmes podem ser feitos e as diferentes avenidas e plataformas nas quais se pode fazer filmes, a questão é que é preciso uma habilidade diferente para escrever um filme do que algo para televisão. Na maneira de filmar, de comunicar, para uma forma de arte mais longa”, afirmou. Quando questionado pelo mediador da palestra sobre pressão da Paramount para lançar seus filmes diretamente no streaming Paramount+, ou ao menos com estreia simultânea, Cruise foi incisivo: “Isso não vai acontecer. Nunca. Isso nunca vai acontecer”.

Top Gun é sua declaração de guerra

Depois de ser homenageado no festival, Cruise partiu para o tapete vermelho mais badalado da Croisette este ano, trazendo com si "Top Gun: Maverick". A escolha do filme não é um acidente. Se em sua data de estreia original em 2020, Maverick já seria uma forte representação do desejo do ator de proteger o cinema tradicional das novas ameaças, agora, depois de dois anos de pandemia e portas fechadas, o novo Top Gun pode muito bem se tornar o grande símbolo dessa luta.

“Cinema é meu amor, é minha paixão”, declarou. “Eu venho, eu quero ver os trailers, quero ver onde estamos. Passei muito tempo com donos de cinema. Sabe, em cada aspecto de filmes, quando eu comecei a estudar cinema, eu fui em cada departamento. As agências, o estúdio. Eu quero pelo menos entender seus trabalhos para ajudá-los em seus trabalhos. Sempre pensei que se eu fizer um filme, e o filme for bem, eles vão me deixar fazer de novo. Toda vez eu penso em como empurrar esse formato para frente.”

Tom Cruise foi homenageado na 75ª edição do Festival de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)
Tom Cruise foi homenageado na 75ª edição do Festival de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)

“A beleza do cinema é que é uma incrível experiência onde você aprende sobre humanidade, sobre trabalho, sobre arte, sobre cada departamento, e quando comecei, [aprendi] como cada elemento do filme é tão importante.”

Tal paixão parece ter convencido Cruise de sua responsabilidade como resgatador não só da arte, mas daqueles que tiram dela seu sustento. “Eu vou ao cinema, essas pessoas, elas estão lá servindo pipoca, e eu ligava pra elas e dizia: ‘Por favor, eu sei pelo que você está passando, só saiba que estamos fazendo Missão: Impossível, Top Gun está chegando.’”

Em Maverick, Cruise ensina uma nova geração de pilotos a entender que, mais que novas tecnologias, os humanos dentro dos cockpits são a verdadeira essência da batalha. O filme acompanha Pete “Maverick” Mitchell (Cruise) 30 anos depois de suas aventuras no clássico oitentista, agora visto como um dinossauro. Um avião enferrujado. Numa determinada cena, ele decide testar um novo caça da Marinha mesmo contra as ordens de um almirante determinado a encerrar o programa deste jato de ponta e reverter o dinheiro no desenvolvimento de drones. Um colega do protagonista o alerta do perigo de desobedecer dizendo: “Você sabe o que vai acontecer se fizer isso?”. Mitchell, olhando para sua equipe como Cruise diz olhar para os donos de cinema, responde: “Eu sei o que vai acontecer com todo mundo se eu não fizer.”

Em outras palavras: cinemas, aguardem. Tom Cruise está chegando.

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