Tom Cruise em Cannes: cinema acima de tudo, a experiência acima de todos

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Tom Cruise foi homenageado no 75° Festival de Cinema de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)
Tom Cruise foi homenageado no 75° Festival de Cinema de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)

Por Guilherme Jacobs

As duas palavras mais ditas por Tom Cruise na homenagem do Festival de Cannes ao ator de "Top Gun: Maverick" e "Missão: Impossível" foram “sempre” e "constantemente''. Ele está sempre aprendendo sobre a arte de fazer cinema e constantemente se dedicando para melhorar mais seu trabalho. Cruise, ficou claro durante a apresentação de uma hora nesta quarta-feira (18), trata sua arte como um esporte - para vencer é preciso dedicação, persistência e esforço. Ele é obcecado. Nada abaixo da perfeição é apropriado para suas estreias milionárias

“Eu me lembro quando era criança, eu tinha 4 anos, e eu queria fazer filmes. Queria pilotar aviões. E eu pensava sobre minha vida. Eu queria ter aventuras em minha vida”.

“Do nada eu estava fazendo Toque de Recolher. E eu pensei ‘isso está acontecendo. Eu estou num set de cinema pela primeira vez na vida.’ Eu tinha 18 anos”, disse Cruise, explicando que, apesar de não ter estudado cinema, se dedicou a aprender tudo sobre os bastidores de como um filme é feito.

Tom Cruise, Jennifer Connelly e Glen Powell no 75° Festival de Cinema de Cannes (Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier)
Tom Cruise, Jennifer Connelly e Glen Powell no 75° Festival de Cinema de Cannes, em 18 de maio de 2022 (Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier)

“O que eu fiz foi ir a cada departamento. Porque eu pensei ‘se eu não fizer mais nenhum filme na vida, eu quero entender o que é isso,’” explicou o ator. “Eu estudava tudo. A fotografia, eu estava lá, no trailer, indo atrás das pessoas. Cada aspecto do filme. Eu estudava, estudava, estudava. De verdade, essa foi minha educação. Eu tive sorte de trabalhar com pessoas muito generosas de todo tipo que compartilharam comigo seu trabalho e sua arte para que eu pudesse aprender e entender o que cada coisa é. Se eu não sei algo, eu não tenho medo de dizer que não sei e trabalhar duro para tentar aprender. Essa tem sido a jornada.”

Cruise relembrou grandes atores e diretores com quem trabalhou, dando destaque especial para George C. Scott, lendário astro de "Patton" e "Dr. Strangelove". “Eu não queria ouvir as fofocas, mas poder vê-los trabalhando e ver como isso se traduz para cinema. Entender por que as coisas me afetam de uma forma específica”, explicou o astro.

A atitude se mantém até hoje, garante o ator, e essa mistura de admiração com curiosidade não se limita aos cineastas com quem ele trabalhou - lista que inclui Martin Scorsese, Paul Thomas Anderson, Brian De Palma e Steven Spielberg. “Diretores de fotografia incríveis, e montadores, produtores” reforça. “Eu sempre tive muito interesse em me envolver e aprender”.

Essa abordagem ultra focada aplica-se, claro, ao seu próprio trabalho. Durante a conversa, Cruise garante que lembra de cada take gravado em sua vida. Antes de sua entrada, Cannes exibiu uma montagem arrepiante com os melhores momentos de sua carreira. “É animal ver essa montagem. É como sua vida em 10 minutos." Destes minutos, muitos foram dedicados às incríveis cenas de ação de coisas como Missão: Impossível, Top Gun e No Limite do Amanhã, filmes que ajudaram Cruise a ganhar a fama de arriscar a própria vida e não utilizar dublês nos momentos mais perigosos de seus blockbusters.

Tom Cruise exibe premiação recebida no 75° Festival de Cinema de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)
Tom Cruise exibe premiação recebida no 75° Festival de Cinema de Cannes (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)

Esse assunto, claro, foi levantado. "Ninguém nunca perguntou a Gene Kelly, 'por que você dança? Por que faz suas próprias cenas de dança,” Cruise explicou, tirando aplausos da audiência em Cannes e deixando implícito que pular de penhascos, pilotar caças a jato e (no futuro) ir ao espaço para gravar suas cenas é tão natural para ele quanto uma rotina de dança era para o astro de "Cantando na Chuva".

“É super perigoso”, Cruise admitiu. “Eu queria avançar a arte. Eu pensei em como inserir a audiência num filme com esse tipo de ação e como eu posso divertir a audiência”. A resposta veio em colocar a vida em risco. “Eu quis pular de paraquedas minha vida toda, são habilidades que desenvolvi com o tempo. Eu sou um piloto acrobático, eu piloto helicópteros, eu voo com velocidade”, complementou.

“Estudando cinema e aprendendo dessas [lendas] eu percebi que posso colocar uma câmera aqui [perto] se eu estiver fazendo a cena. Eu posso criar, para a audiência, uma experiência que acho que será única para eles. Inseri-los num mundo de forma única. Eu estou constantemente estudando e trabalhando”, afirmou antes de relembrar que conversa com dublês desde seu primeiro filme, "Toque de Recolher".

“Eu estou aprendendo essas habilidades e percebi que é como a velha Hollywood. Porque eu estudei a velha Hollywood e você pode ver que eles passaram por aquilo, eles tinham que aprender dança e canto, e esse sistema se foi. Se eu não estou trabalhando num filme, eu sempre estou aprendendo habilidades e estudando cinema”. “Eu me faço descobrir interesses e penso ‘um dia, vou colocar isso num filme’”.

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