Toalha pequena: o que Tiago passa no BBB é realidade de muitos gordos

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Tiago Abravanel é um dos confinados do BBB22 (Reprodução Instagram)
Tiago Abravanel é um dos confinados do BBB22 (Reprodução Instagram)

Enquanto os participantes da 22a edição do “Big Brother Brasil” conversavam sobre o banho e como economizar água dentro do confinamento, Tiago Abravanel tinha outra preocupação: a toalha de banho que haviam lhe oferecido para usar dentro do programa. O item não seria grande o bastante para ser enrolada em seu corpo.

“A toalha não dá a volta na minha circunferência. Eu tive que pegar a toalha da piscina. Nem sei se posso usá-la”, comentou o ator. “Cê [sic] concorda que é um pouco constrangedor para mim, fazer isso? É mais fácil dar uma toalha maior”, continuou o participante, que disse, ainda, que se sentia “prejudicado”.

A situação desconfortável vivida por Tiago Abravanel não é incomum para pessoas gordas. Jéssica Lopes, criadora de conteúdo e empresária, sente isso na pele desde sempre. “Desde quando era criança, as toalhas infantis não davam para mim, tinha que usar as de adulto”, afirma. Por não existir toalhas grandes o suficiente para seu corpo, Jéssica já deixou de frequentar ambientes em que poderia se sentir mal por não conseguir se cobrir com o acessório. “Vestiário sempre foi algo difícil para mim, porque me sentia exposta. Não ia fazer mensagem porque tinha medo da toalha ou roupão oferecidos pelo spa não me servissem”, fala.

Flávia Durante, comunicadora e criadora da feira de moda plus size Pop Plus, afirma que o fato da maioria das toalhas serem pequenas demais para atender o corpo gordo é mais um reflexo da gordofobia estrutural.

“É mais uma das questões da falta de acessibilidade que as pessoas gordas passam”, diz. “Não é só a toalha, é a catraca do ônibus, é a carteira de escola, a cadeira de um cinema, macas de hospitais que não cabem o corpo gorda. É toda uma estrutura que ignora a existência da pessoa gorda”, complementa Jessica Lopes.

Pode parecer uma coisa pequena, mas isso pode ter um impacto muito grande na autoestima e no senso de pertencimento de uma pessoa. “Mesmo as pessoas gordas sendo 60% da população, a sociedade rejeita tanto esse corpo que ignora a existência dele. Não quer atender suas demandas mais básicas”, fala Flávia Durante. É que, de acordo com a gordofobia estrutural, a pessoa gorda nem tinha que existir. “Tudo o que uma pessoa faz tranquilamente, porque cabe em todo lugar, o gordo tem mais trabalho para achar e, quando encontra, é mais caro.”

Tiago Abravanel aparece, no vídeo, super decepcionado com a produção do programa. “É algo pequeno, mas que é profundamente desconfortável para quem vive”, diz Flávia.

É que, no caso dele, a situação é ainda mais complexa, já que, no “Big Brother Brasil”, a toalha não serve “apenas” para se secar: ela é a proteção que os participantes usam para se trocar sem serem flagrados pelas câmeras, que os gravam 24 horas por dia. Assim, não é à toa que o ator tenha ficado chateado. Eles não estariam prezando pelo mínimo de conforto dele. “É muito doido um programa que tem 20 participantes, os produtores conhecerem as particularidades de cada um deles e não terem pensado nesse detalhe. Provavelmente, porque não era a dor daquela pessoa que ficou responsável pelas toalhas”, comenta Jessica Lopes.

Por isso, a criadora de conteúdo acredita que seja importante falarmos sobre o assunto. “Para que a gente plante a sementinha da mudança. Para as pessoas que não vivem essa dor, mas são responsáveis pela mudança, pensem melhor”, fala Jessica.

Enquanto as coisas não mudam, Flávia Durante lembra que há marcas como Malibu For All e Modaliss que fazem toalhas maiores para atender o corpo gordo. “Muitas vezes essas iniciativas surgem porque pessoas gordas ficaram de saco cheio e botaram a mão na massa para resolver uma demanda”, diz a empresária.

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