Titãs dizem que Bolsonaro no poder é assustador e clamam por democracia em disco

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP,  24.08.2015: MÚSICA-SP -  Os músicos do Titãs, Sergio Britto, Tony Belloto, Branco Mello e Paulo Miklos durante ensaio fotográfico realizado em heliponto de prédio no bairro da Vila Nova Conceição, em São Paulo.  (Foto:  Eduardo Knapp/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1508241626271722
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.08.2015: MÚSICA-SP - Os músicos do Titãs, Sergio Britto, Tony Belloto, Branco Mello e Paulo Miklos durante ensaio fotográfico realizado em heliponto de prédio no bairro da Vila Nova Conceição, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1508241626271722

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Lançando agora o álbum "Olho Furta-Cor", os Titãs, que comemoram 40 anos de carreira, tentam oferecer doses de otimismo a menos de um mês para as eleições. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Belloto, os três remanescentes do octeto que surgiu nas paradas de sucesso dos anos 1980, se disseram assustados com o momento político do país.

"Nós acompanhamos o processo da redemocratização brasileira de maneira muito visceral. Na nossa infância e adolescência, vivíamos numa ditadura militar. Britto mesmo viveu anos fora do Brasil, exilado, com o pai. Então, é assustador ver que, depois disso tudo, um governo de extrema direita chegou ao poder com tanto apoio popular", afirmou Belloto. "Mas o disco é como um olho furta-cor. Estamos chocados, mas também esperançosos."

A geração do rock brasileiro surgiu mesmo num momento de ruptura, com a volta das liberdades individuais. Britto, o vocalista, se mantem fiel ao espírito libertário, acreditando que "existe no ar um cheiro de renovação". Para ele, a crença de que o país tomará novos rumos se traduz em "Há de Ser Assim", uma das 14 canções de "Olho Furta-Cor", que clama pela palavra da moda —empatia.

Durante a entrevista, o trio relembrou também as saídas de antigos companheiros, como Charles Gavin, em 2010, e Paulo Miklos, em 2014. Com tantas baixas, a longevidade da banda parece estar assegurada, tanto que Mello já anunciou sua volta aos palcos, depois de uma pausa devido a um nódulo na garganta.

"Nesses 40 anos juntos, aprendemos a lidar com as situações adversas que a vida nos apresenta", escreveu Mello, num email. "Já estou de volta aos shows tocando baixo e cantando 'Cabeça Dinossauro'. Em nenhum momento pensamos ou tememos pelo fim da banda."