Tipo de negócio que não dá em nada, diz Mourão sobre investigação de interferência de Bolsonaro na PF

RENATO MACHADO
·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 09.03.2020 - O vice-presidente Hamilton Mourão durante evento em SP. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 09.03.2020 - O vice-presidente Hamilton Mourão durante evento em SP. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o inquérito aberto para apurar interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal é o "tipo de negócio que não dá em nada"

A declaração foi dada na manhã desta sexta-feira (27), ao chegar ao Palácio do Planalto. O vice-presidente foi questionado por jornalistas sobre a decisão do presidente Bolsonaro de não depor no inquérito instaurado para apurar as acusações de interferência no comando da PF.

"Isso aí é um assunto que está afeto ao presidente, é um assunto que não passa por mim", respondeu inicialmente o vice-presidente.

Mourão em seguida foi questionado se concordava com a alegação da AGU de que as ilações de interferência do presidente na PF seriam infundadas.

"Também concordo. É o tipo de negócio que não dá em nada", afirmou Mourão.

A decisão do presidente de não prestar depoimento foi comunicada nesta quinta-feira (26) ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral Júnior.

A palavra final sobre a realização da oitiva, no entanto, cabe ao relator da apuração, ministro Alexandre de Moraes. Na condição de investigado, o presidente pode faltar ao compromisso caso Moraes determine que a PF marque o depoimento.

"O peticionante [Bolsonaro] vem, respeitosamente, à presença de V.Exa., declinar do meio de defesa que lhe foi oportunizado unicamente por meio presencial", afirmou Levi.

O inquérito foi aberto no STF para apurar as acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que o presidente da República tentou interferir na autonomia da PF para proteger familiares e aliados.

Moro fez as acusações ao deixar o ministério, em abril.

Moraes assumiu a relatoria do caso após a aposentadoria do ministro Celso de Mello no mês de setembro. Em um dos últimos atos no tribunal, Celso determinou que Bolsonaro prestasse depoimento presencial e autorizou a defesa de Moro a acompanhar o interrogatório.

O chefe do Executivo, em sua comunicação ao STF, pede ainda ao relator que os autos do inquérito sejam encaminhados à Polícia Federal para "elaboração de relatório final" a ser submetido ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a quem compete apresentar denúncia ou pedir o arquivamento da apuração.

O depoimento de Bolsonaro, segundo os investigadores encarregados do caso, é apontado como uma das providências finais da apuração.

O presidente afirmou ainda ao STF que a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril "demonstrou completamente infundadas quaisquer das ilações que deram ensejo ao presente inquérito".

Anexada ao inquérito, a gravação foi apontada por Moro como uma das provas de que Bolsonaro tentou interferir na polícia.