Tia Má: Filme de Lázaro Ramos 'é resposta pra quem diz que não tem atores pretos'

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Maíra Azevedo entre Lázaro Ramos e Elísio Lopes Jr, diretor e roteirista de Medida Provisória (Foto: Reprodução/ Instagram @tiamaoficial)
Maíra Azevedo entre Lázaro Ramos e Elísio Lopes Jr, diretor e roteirista de Medida Provisória (Foto: Reprodução/ Instagram @tiamaoficial)

Para a jornalista e agora também atriz Maíra Azevedo, a Tia Má, o filme "Medida Provisória" será um marco no cinema brasileiro. Estreia de Lázaro Ramos na direção, o longa-metragem que chega às telonas na próxima quinta-feira (14) é escrito, dirigido e protagonizado por diversos profissionais negros. A trama é situada num futuro distópico em que um governo autoritário tentar mandar para a África todos os negros do Brasil.

Por isso, Maíra destaca a emoção em chegar no set de gravação e compartilhar com o elenco a sensação de pertencimento. Ela dá vida a Dina, personagem que faz uma participação como integrante do "afrobunker", nome dado ao movimento que tenta resistir ao governo.

"Eu me lembro quando Lázaro veio falar comigo, eu não conseguia falar porque eu estava olhando e eu via gente preta de todo tipo", relatou a atriz, atualmente em cartaz nos cinemas com a comédia “Vale Night”.

"'Medida Provisória' é também uma resposta pra quem diz que não enxerga, que não tem atores pretos, que não contrata porque não conhece profissionais pretos. 'Medida Provisória' é a resposta pra quem diz que: 'ah, gente, eu queria contratar, mas eu não sei onde é que tem'. E aí, como é que o filme consegue ter mais de 100 pessoas pretas à frente e atrás das câmeras? Depois desse filme, ninguém vai poder dizer que não contratou porque não conhece porque, a partir daí, vai ser uma decisão de continuar excluindo", destacou.

A declaração da atriz foi feita na coletiva de imprensa do filme, realizada no último dia 30, no UCI Orient Shopping da Bahia, em Salvador. Ela participou do evento ao lado de outros integrantes do projeto, como os roteiristas do filme Aldri Anunciação e Elísio Lopes Jr, o ator britânico Alfred Enoch, protagonista da trama, e o próprio Lázaro Ramos.

Ao falar com a Band Bahia na ocasião, o diretor disse que o desejo de ver mais artistas negros em cena foi o que o impulsionou a assumir esse papel. "Estava um pouco cansado de ficar falando sobre a potência dos valores que a gente tem e nem sempre conseguir contar história. Ficava pedindo para os outros contarem, entenderem a importância. Eu mudei a vida por isso", pontuou o artista.

Em outro evento de divulgação do filme, Ramos foi ainda mais explícito sobre o assunto."Troquei a Globo pela Amazon por estar um pouco cansado de pedir, como se eu fosse um pedinte. Como se eu tivesse de implorar por uma coisa que é poderosa, que são os nossos profissionais, a nossa história", ressaltou.

Após quase 20 anos como ator da emissora carioca, o baiano hoje explora suas diversas habilidades no streaming de vídeo. Seu segundo filme, "Um ano inesquecível - Outono", será disponibilizado pela plataforma.

Relação com a Globo

Agora ex-funcionário, Lázaro Ramos mantém boa relação com a Globo. Junto a Alfred Enoch e Emicida, que também participa de "Medida Provisória", ele esteve no Altas Horas do último sábado (9) para divulgar o filme. Além disso, o longa foi exibido na noite de segunda-feira (11) no Big Brother Brasil 22.

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