Dumaresq, queridinho do 'The Circle', cita estratégia: "Viada closeira’ e inteligente"

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
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Raphael Dumaresq é um fenômeno (Foto: Reprodução/Instagram@raphaeldumaresq)
Raphael Dumaresq é um fenômeno (Foto: Reprodução/Instagram@raphaeldumaresq)

Por Aline Takashima

"Olááá, maravilhosa. Tá me ouvindo bem?". Foi assim que Raphael Dumaresq, 24 anos, começou a entrevista via videoconferência. O produtor cultural e performer sabe bem como se comunicar por meio de uma tela. Ele é um dos queridinhos de 'The Circle Brasil’, reality show que estreou em março na Netflix.

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Assim como os outros jogadores, Duma, como é carinhosamente chamado, viveu sem contato com o mundo exterior por 30 dias em um apartamento em Manchester, na Inglaterra, onde as gravações aconteceram. A única forma de comunicação com os participantes era pelo Circle, uma espécie de rede social virtual acionada por comando de voz. O objetivo do programa é conquistar os outros jogadores até chegar à final. Spoiler: ele conseguiu.

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O seu plano inicial no reality foi criar um perfil "babadeiro", como conta, mostrando a sua personalidade expansiva e artística. Ao longo do programa, Dumaresq também mostrou uma outra faceta importante, a de estrategista.

"Tive a oportunidade de não ser só a 'viada closeira', e ser a 'viada' inteligente. A minha participação foi intelectual. É importante mostrar que somos cabecinhas que pensam", explica.

O artista já era figura conhecida antes de entrar no programa. Ele é popular na cena alternativa em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde nasceu. Dirigiu filmes e clipes, criou uma gayband chamada "Raphael and the Dumaresqs" e perdeu as contas em quantos palcos subiu.

Sou o artista potiguar que mais invadiu o palco. Eu amo um holofote conta, rindo.

Quem incentivou os seus dons artísticos foi a sua mãe. Foi ela que o levou para as primeiras aulas de dança. "Mainha era muito parecida comigo. Produzia festas. Era comunicativa, ajudava todo mundo, falava alto."

A cumplicidade entre os dois durou até 2016. Naquele ano, sua mãe morreu de infarto. "A gente tem uma força dentro de nós e usa quando realmente precisa. Quando mainha morreu fiquei com uma vontade de viver tão grande e pulsante. Tudo o que faço é com vontade e muita alegria. Eu tô vivo, tenho que viver", diz.

Uma forma de atravessar o luto por meio da arte. Na época, Dumaresq explorou diferentes formatos criativos como fotografia, vídeos, música e performance. Ele é popular entre os artistas, estudantes e boêmios de Natal. Mas sabe que não está seguro quando sai na rua.

A vida é expansão, plenitude, felicidade

O Rio Grande do Norte é o quarto estado no Brasil que mais mata lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, de acordo com o relatório do Grupo Gay da Bahia de 2018. São 4,31 mortes por milhão de habitantes, mais que o dobro que a média nacional de 2,01.

"Dentro da minha bolha eu não sinto preconceito. Mas se eu sair com maquiagem no centro de Natal, as pessoas me olham de um jeito que me fere muito." Dumaresq descreve esse desprezo e repulsa.

"É como se as pessoas me perguntassem: 'O que você está fazendo aqui? Esse espaço não é teu. Vá para a sua bolha, o seu beco. Você não deve estar aqui'". O artista está acostumado com julgamentos. Desde criança enfrenta o desafio de ser diferente. Por isso, usa a moda para se divertir, trazer alegria.

Moda como forma de expressão

"Quando estou tristinho boto uma roupa bonita, faço uma maquiagem. Sinto que meu estilo comunica meu humor, minha intenção." Por mais que ame roupas, o artista acredita que o look mais bonito nunca vai ser encontrada em uma loja.

"A roupa mais bela que temos é o próprio corpo", explica. "Gosto muito do corpo nu. Amo ficar pelado. Eu fiquei 'peladíssimo' em 'The Circle’. A Netflix cortou tudo", conta se divertindo. "O corpo nu é muito poético. É um corpo vivo, que comunica. A roupa vem mais para dar um plus, um shine."

O produtor cultural aproveita o sucesso do programa para brilhar. O próximo passo é criar um canal no YouTube com entrevistas com foco em arte.

"Quero conversar com as pessoas. Convidar artistas, autores de livro que tragam conteúdo de uma forma delicada e dinâmica", conta.

Com quase 300 mil seguidores no Instagram, o artista tem conversado bastante com os seguidores gays que estão se descobrindo e têm medo de assumir a sua sexualidade. "Qual o sentido da vida se a gente não pode ser quem é?", e complementa "a vida é expansão, plenitude, felicidade".

Duma é tudo isso, e quer levar alegria para o mundo. Não é de se estranhar que consiga. Ele próprio diz: "essa é a minha missão".