The Batman, Zack Snyder e a puberdade da DC no cinema

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Ben Affleck (esq.) como Batman em Zack Snyder's Justice League e Robert Pattinson (dir.) em The Batman. Foto: Warner Bros. Pictures
Ben Affleck (esq.) como Batman em Zack Snyder's Justice League e Robert Pattinson (dir.) em The Batman. Foto: Warner Bros. Pictures

O último final de semana mostrou um domínio da DC na internet como não se via há anos. O FanDome, evento que mostrou novidades de TV, cinema e quadrinhos, mostrou uma nova faceta da companhia que há anos procura o caminho de renovação no cinema - e ele parece ter chegado para quase todas as franquias, a começar pela mais importante e comentada de todas desde sábado passado: Batman.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Ainda que trouxesse consigo um diretor renomado e um elenco de alto escalão, a dúvida pairava sobre os ombros de Robert Pattinson, julgado por ser o eterno vampiro Edward de Crepúsculo, e agora responsável por vestir o morcego. Bastaram dois minutos de prévia e dez de painel para qualquer dúvida desaparecer até dos mais céticos.

O clima noir, soturno e fantástico imposto por Matt Reeves no trailer parece renovar muito do que se falou sobre Batman nos cinemas – isso por que o filme parece ser sobre o morcego e o homem, não só sobre o herói.

Leia também

A partir do que o próprio Reeves falou, o dilema entre Bruce e Batman deve ser o fio que seguirá por toda narrativa. Questionar a saúde mental e os métodos de um cidadão que usa violência para teoricamente proteger a cidade deve extrapolar o embate polícia/Batman e ser abordado dentro da própria cabeça de Wayne - assim como na HQ Ego, usada como referência pelo diretor. Desta forma, sem perder a essência da origem e respeitando a visão do cineasta responsável, o caminho de recuperação do protagonista da DC no cinema parece começar a se pavimentar.

Essa mesma sensação de liberdade e assinatura pôde ser vista no Esquadrão Suicida de James Gunn. Mesmo com atores egressos da versão de David Ayer, em poucos minutos de painel o diretor conseguiu deixar claro seu desprendimento por qualquer tipo de "temática sombria", mesmo deixando óbvio que matará personagens e abordará guerra e moralidade no roteiro. Até a forma como a equipe falou sobre a Marvel e se portou na apresentação revela um novo momento do estúdio, que não tem nada a ver com ser adulto, mas sim amadurecer a ponto de ter confiança na própria identidade.

Identidade, aliás, é tudo que Zack Snyder promoveu no seu painel de Liga da Justiça, que agora será uma série com quatro episódios de uma hora. Da paleta escura até a música apoteótica, a apresentação do esperado 'corte do diretor' reforçou a ideia de que ela existe para reparar a injustiça feita com o cineasta, mas principalmente para agradar os fãs daquele universo. E mesmo que soe como uma regressão se comparada às versões de Gunn e Reeves, a presença de Snyder mostrou uma DC capaz de assumir os próprios erros e determinada a seguir em frente.

Agora, resta saber se a cúpula do estúdio vai abraçar a ideia de amadurecimento apresentada pelos novos projetos ou seguirá no embate desnecessário entre 'crianças e adultos' tanto reforçado pelo universo liderado por Zack Snyder. Como heróis e quadrinhos sempre alcançaram todo e qualquer público, espero que a DC siga com o novo caminho.

———

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.