Thales Baião, especialista em marketing digital, diz se Balenciaga pode reverter a pior crise da marca

Kim Kardashian, Gkay e outros parceiros e admiradores romperam ou pelo menos estão revendo a relação com a grife

Thales Baião é especialista em marketing digital (Foto: Getty Images e divulgação)
Thales Baião é especialista em marketing digital (Foto: Getty Images e divulgação)

Resumo da notícia:

  • Thales Baião avalia crise da Balenciaga

  • Campanha da marca foi associada ao abuso infantil

  • Vídeos mostram lojas da grife com pouco ou nenhum movimento

A situação da Balenciaga continua crítica. Em um novo pronunciamento sobre a polêmica em torno de suas campanhas mais recentes, associadas ao abuso sexual infantil, a marca afirma que falhas internas no processo de aprovação permitiram que uma dessas imagens, que traz documentos de um caso envolvendo esse tipo de crime, chegasse ao público. No mesmo texto, inclusive, a grife destaca que pretende processar a produtora responsável pelo trabalho, a North Six, Inc., em US$ 25 milhões.

“Estamos reforçando as estruturas em torno de nossos processos criativos e etapas de validação. Queremos garantir que novos controles marquem um pivô e evitem que isso aconteça de novo. [...] A Balenciaga reitera suas sinceras desculpas pela ofensa que causamos e estende suas desculpas aos talentos e parceiros", diz parte do texto.

Os cliques em que crianças posam ao lado de ursinhos estilizados com acessórios considerados fetichistas também foram mencionados: “Condenamos veementemente o abuso sexual infantil. Nunca foi nossa intenção incluí-lo em nossa narrativa. Nossas bolsas de ursinhos de pelúcia e a coleção 'Gift' não deveriam ter sido apresentadas com crianças. Esta foi uma escolha errada da Balenciaga, combinada com nossa falha na avaliação e validação das imagens. A responsabilidade por isso é somente da Balenciaga."

Para o especialista em marketing digital Thales Baião, a marca fez bem apagar rapidamente as imagens em questão e se retratar (até mais de uma vez) assim que o público problematizou as escolhas de seu diretor criativo, Demna Gvasalia, e os demais envolvidos nas campanhas.

"Nessas situações, o melhor é se pronunciar de maneira clara e direta, sem tentar se justificar com base em possíveis más interpretações", avalia ele. No entanto, isso não significa que tudo seja resolvido como em um passe de mágica. "É possível que os consumidores continuem cobrando um posicionamento ou até medidas mais drásticas em relação a Demna. Se isso não ocorrer, seria interessante pelo menos ver a marca mais engajada na luta contra o abuso sexual infantil, seja apoiando iniciativas ou jogando luz sobre o tema, da maneira correta, nas próximas coleções. Isso, claro, sem mencionar as medidas necessárias para que erros assim não ocorram novamente", conclui Thales Baião.