Testosterona em gel promete libido e corpo definido, mas uso é bem arriscasdo

Testosterona em gel sem acompanhamento médico é bem perigoso (Foto: Getty Images)

Por Natália Leão (@natileao_)

Imagine se existisse um gel que você aplicasse na axila, como um desodorante, e que fizesse aumentar a libido, massa muscular e disposição, além de derrubar as taxas de gordura? O gel de testosterona pode produzir todos esses efeitos e por isso, tem sido usado por cada vez mais mulheres na busca por um corpo mais magro e definido.

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Se você faz academia, fique atenta às conversas de vestiários e provavelmente vai ouvir coisas como: “é só um gelzinho, não faz mal e ajuda muito a emagrecer”. Os profissionais de educação física, que passam boa parte do dia cercados por questões relacionadas ao corpo, estão acostumados a ouvir esse tipo de frase.

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“Existem as pessoas que estão dispostas a treinar e se alimentar corretamente para atingirem seus objetivos estéticos e existem aquelas que esperam que uma pílula mágica, nesse caso um gel mágico, faça tudo por elas, mesmo que isso coloque em risco sua saúde. É esse segundo grupo que costuma recorrer ao gel de testosterona sem orientação médica”, diz a educadora física Raquel Quartiero. O problema é que, apesar de parecer inofensivo, o gel é um medicamento hormonal e, se utilizado sem orientação médica e sem necessidade pode trazer riscos à saúde. 

O que é a testosterona de uso tópico

“Apesar da testosterona ser chamada de hormônio sexual masculino, ela também é produzida pelas mulheres nos ovários”, explica a ginecologista Cidinha Ikegiri. Esse hormônio é responsável, entre outras coisas, pelo crescimento muscular, disposição, crescimento de pêlos e regulação de desejo sexual. Embora o corpo feminino produza naturalmente menos testosterona que o masculino, em níveis saudáveis, ela não faz falta, já que na mulher os hormônios sexuais progesterona e estrógeno atuam com mais força. Algumas pessoas - homens e mulheres - podem sofrer com baixos níveis de testosterona, o que torna necessária a reposição hormonal, ou seja, colocar no corpo o hormônio de forma sintética. Isso pode ser feito de três formas: injetável, por meio de comprimidos e gel. Por parecer menos perigoso, invasivo e supostamente ter uma dosagem menor do hormônio, o terceiro meio de administração foi o que caiu no gosto das mulheres. 

Os perigos do uso desnecessário

A ginecologista Cidinha Ikegiri costuma dizer que os hormônios são como um botões de ligar, que têm receptores espalhados pelo corpo. A testosterona é um botão que, no sistema nervoso central, ativa a libido e reações ligadas à agressividade; nos músculos tem função anabolizante; na pele, aumenta a produção de pêlos e oleosidade. “O problema é que é muito difícil dosar a testosterona em mulheres. Apesar de haver um número limítrofe, utilizado por laboratórios, eles não dizem muita coisa, já que existem muitas outras variáveis relacionadas a esse hormônio no corpo feminino”, explica a ginecologista.

Portanto, a consulta a um médico é indispensável para avaliar se o uso é necessário, do contrário, você pode acabar pagando um preço alto pelo erro. “Alguns dos efeitos colaterais são acne severa, pêlos corporais excessivos, queda de cabelo, clítoris aumentado e cordas vocais alteradas, causando voz grossa. Os dois últimos podem, inclusive, ser irreversíveis ou exigir cirurgia para reversão”, diz Cidinha. 

Mais testosterona, sem reposição

Se você já pensou em usar o tal gel sem orientação e mudou de ideia depois do que leu, saiba que existem outras maneiras de melhorar seus níveis de testosterona sem precisar recorrer a ele.

“Existem treinos que fazem a liberação hormonal natural, alguns liberam mais testosterona e GH (outro hormônio relacionado ao crescimento muscular) e outros liberam menos”, explica Raquel. “Não adianta querer reduzir o percentual de gordura e só correr na esteira, ao invés de investir em tipos variados de treino”, completa. É importante saber também que, apenas fazer a reposição da testosterona sem fazer treinos e dietas adequadas, não dará os resultados estéticos desejados. Outro fator que pode ser determinante nas quantidades de testosterona no corpo feminino é o uso de pílula anticoncepcional.

"A pílula pode dificultar o ganho de massa magra, causar redução de força e desempenho esportivo e até acúmulo de gordura”, diz a ginecologista. “Isso acontece porque ela pode aumentar uma proteína no sangue chamada SHBG, que se liga aos hormônios sexuais, principalmente à testosterona circulante no corpo, inativando sua ação”, completa. Os profissionais de educação física e medicina concordam em um ponto: a reposição de testosterona pode ser ótima, se você realmente precisar dela e tiver a orientação adequada para utilizá-la. Do contrário, não vale a pena arriscar a saúde por um benefício duvidoso.