Testei a cadeira que faz 11 mil contrações na vagina

A cadeira eletromagnética faz contrações involuntárias na vagina (Foto: Divulgação / EmSella)

Vaginas podem ser bastante sedentárias, mesmo que levantem muito ~supino por aí (ainda não inventaram sêmen de whey protein). Isso porque frequência sexual não determina boa forma íntima: força, lubrificação e sensibilidade do canal vaginal. A gente precisa ~suar de outras maneiras pra garantir o tônus do assoalho pélvico, um conjunto de músculos que circundam a dita-cuja e sustentam órgãos como bexiga e útero. Eles também estão diretamente relacionados às contrações que nos permitem segurar/liberar o xixi, parir, ter (mais e melhores) orgasmos e “apertar” o pênis durante a penetração. Ou “cuspir” bolinhas de ping-pong em vídeos no Youtube. Ou levantar um abacaxi usando apenas o “eu interior”.

Você já deve ter ouvido falar em pompoarismo ou exercícios de Kegel, não? São técnicas pra fortalecer essa estrutura do nosso corpo e não só aumentar o prazer no sexo, mas combater problemas de saúde como incontinência urinária. Quase METADE das mulheres acima dos 40 anos tem perda involuntária de xixi, independentemente da quantidade. Por exemplo, às vezes saem gotas durante um espirro ou levantamento de peso. Até enquanto gozam! Os dados são de um levantamento com mais de 5 mil brasileiros, conduzido pelo médico Cristiano Mendes Gomes, do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio Libanês (SP).

Não à toa, metade das mulheres que sofre de incontinência urinária têm disfunções sexuais, de acordo com um estudo da UNIFESP. Por medo de escapar xixi na hora H, muitas evitam o sexo ou ficam tão tensas que não conseguem ter orgasmos. Se as transas são fonte de angústia, é compreensível que o tesão também desapareça… Por causa do tabu, muita gente desconhece a fisioterapia pélvica ou uroginecológica pra tratar essas questões – além de dor no sexo, vaginismo etc – com profissionais especializados. E, como qualquer fisioterapia, requer dedicação e paciência.

Meses atrás, seduzida pelos benefícios de malhar a vagina, fiz um curso online de pompoarismo (exercícios orientais milenares pro assoalho pélvico) com 10 módulos. Comprei um kit de cones vaginais com diferentes pesos e me dispus a treinar enquanto tomava banho, lavava louça, assistia Netflix. “Contrai, segura, relaxa” virou uma espécie de mantra. Funcionou super… por duas semanas. Embora eu não precisasse de aparelhos/acessórios, pudesse treinar a qualquer hora e em qualquer lugar sem que ninguém percebesse, passei a esquecer ou desencanar. Repetições me entediam.

Eis que surge um vídeo nos Stories do meu Instagram (@pimentaria): uma garota estendia a mão sobre uma cadeira modernosa e seus dedos contraíam involuntariamente. Soube, em seguida, que isso aconteceria com sua vagina. Oi? Dias depois, entro na mesma sala do Espaço Mira, em São Paulo. O médico dermatologista Luiz Perez me convida a sentar na máquina eletromagnética que pesa 100kg e lhe custou R$ 350 mil. “Uma sessão de 28 minutos leva à 11 mil contrações”, diz o especialista em tratamentos íntimos. “É pompoarismo top”. Por um segundo, imagino minha vagina se transformando numa versão genital do Arnold Schwarzenegger.

O médico Luiz Perez, do Espaço Mira, pagou R$ 350 mil pela cadeira hi-tech que promete fortalecer o assoalho pélvico (Divulgação)

Não preciso tirar a roupa, apenas me acomodar de joelhos afastados. A EmSella, fabricada na República Checa, possui um imã gigante que cria um campo magnético até cerca de 10 cm acima do banco – ou seja, bem abaixo do seu umbigo. O médico avisa que posso estranhar os primeiros choques e aciona a máquina. Sinto pulsações e fisgadinhas de leve e… WOW. Todos os músculos ao redor da vagina se contraem como se algo estivesse literalmente os puxando pra baixo.

A EmSella pesa 100kg e possui um gigantesco imã que provoca ondas eletromagnéticas a até 10 cm de altura a partir do assento (Divulgação)

Não dói, causa um formigamento esquisito nos primeiros dois minutos. Como você não está no comando consciente dos movimentos, é como se a vagina tivesse vida própria. Lembra daquela cinta abdominal elétrica da Polishop que vendeu horrores nos anos 2000 com a promessa de gominhos na barriga – e você usava enquanto comia um pote de sorvete? A sensação é parecida. Ao longo dos 28 minutos, a intensidade das contrações aumenta e a vagina esquenta. Não duvidaria se alguém confessasse um certo prazer. Não tive a oportunidade de me concentrar nesse sentido porque o doutor seguiu falando sobre a cadeira…

O protocolo é de seis sessões ao todo, no máximo duas por semana pra que a musculatura não fique exausta. A carteira também pode fadigar. Cada sessão custa entre R$ 400 e R$ 700 no Espaço Mira, dependendo do pacote. “Se os exercícios de Kegel e pompoarismo resolvem e são muito mais baratos, por que o equipamento? Porque as pessoas não têm a disciplina pra fazer os exercícios”, afirma Luiz Perez. Outras clínicas do país oferecem tratamento com a EmSella, contraindicada em caso de gravidez, uso de prótese metálica ou DIU de cobre.

*Nathalia Ziemkiewicz, autora desta coluna, é jornalista pós-graduada em educação sexual e idealizadora do blog Pimentaria