Terror de 'A Maldição da Casa Winchester' não sai do banho-maria

(Imagem: divulgação Paris Filmes)

O ponto de partida tinha potencial: a mansão de um tradicional fabricante de armas é assombrada por almas de vítimas dos seus produtos. Numa época em que o controle de armas é discutido nos EUA a cada novo massacre, ‘A Maldição da Casa Winchester’, em cartaz nos cinemas a partir de hoje, poderia pegar carona e servir de alegoria, mesmo se passando na virada do século XIX para o século XX.

Fica claro, porém, que não é esta a intenção dos diretores, os irmãos Michael e Peter Spierig. Mas então, qual é? O filme enclausura seus personagens num cenário único, apresenta a arquitetura peculiar do local, repleto de invenções da velha matriarca (Helen Mirren, no piloto automático), mas mal acaba usando estas ambientações. Em vez disso, dobra-se aos jump scares e soluções sobrenaturais no estilo vale tudo para resolver os mistérios. Acaba ficando na prateleira do terror genérico.

Helen, vencedora do Oscar por ‘A Rainha’, interpreta Sarah Winchester. A personagem acredita piamente que sua casa está sendo assombrada por espíritos vingativos, e assim desperta suspeitas sobre sua sanidade mental entre os sócios de sua empresa familiar. Estes contratam um psicológo decadente, o Dr. Eric Price, (Jason Clarke) para atestar o distúrbio e afastá-la dos negócios.

Mas Price também vive com os próprios fantasmas ao redor. Alcoólatra e cético, ele ainda junta os cacos após a morte recente da esposa. Sua empreitada na mansão Winchester acaba despertando estes demônios internos, ao mesmo tempo em que lhe oferece a chance de redenção.

‘A Maldição da Casa Winchester’ se perde exatamente quando abre mão desta abordagem mais psicológica e abraça os clichês do gênero, desperdiçando a oportunidade de se consolidar como um filme com personalidade bem definida. Quando tenta retomar isto, é possível que o público já esteja desinteressado.

Se na tela a emoção fica sempre numa espécie de banho-maria, a Paris Filmes pensou em uma ação especial que promete ser até mais divertida do que o filme: durante os dias 2, 3, 4, 9, 10 e 11 de março (sexta, sábado e domingo), o foyer da Cinemark, no shopping West Plaza em São Paulo, oferece uma versão reduzida do Escape Hotel, na qual o público tem dez minutos para tentar escapar de uma sala tematizada. Vai encarar?