Terror com Gary Oldman é previsível, mas tem boa história de possessão

THALES DE MENEZES

FOLHAPRESS - As críticas americanas para o terror "A Possessão de Mary" não foram das mais generosas. Mas é difícil resistir a ver um filme com dois atores ingleses tão bons, Gary Oldman e Emily Mortimer. Nada com essa dupla pode ser desprezível, e o filme realmente não é. Problemas existem, mas é um boa história de possessão.

O diretor americano Michael Goi fez apenas um outro filme para o cinema, "Megan Is Missing", de 2011, uma história assustadora sobre duas adolescentes perseguidas por um molestador que chega a elas pelos chats da internet. É um caso típico de um roteiro melhor do que o filme, que tem problemas de ritmo.

Nesses oito anos de intervalo até o segundo longa de cinema, Goi dirigiu uma penca de episódios de séries de TV, alguns de grandes sucessos como "Riverdale", "American Horror Story" e "Pretty Little Liars". Parece ter conseguido evoluir muito, e "A Possessão de Mary" cria um bom clima de suspensa e tem um elenco bem conduzido. Essa observação vale para os atores coadjuvantes, já que Oldman e Mortimer não precisam de ajuda de um diretor, basta deixá-los com o texto e não atrapalhar.

Oldman é David, capitão de navios que levam turistas para passear no mar. Mas trabalhar como empregado para os outros não rende dinheiro suficiente para dar uma vida melhor para a mulher, Sarah (Mortimer), e suas duas filhas, uma adolescente e outra ainda trocando os dentes de leite (esse detalhe terá importância na trama).

David arrisca o dinheiro que tem (e o que não tem) na compra de um barco antigo e bem estragado, que tem o nome Mary, o mesmo de sua filha mais nova. Sarah inicialmente repreende o marido, achando que será dinheiro desperdiçado, mas depois cede à ideia e ajuda na restauração do barco.

Com a reforma terminada, a embarcação fica bonita e chama a atenção a figura na proa, uma mulher de cabelos longos e seios à mostra. Uma sereia? Uma representação da tal Mary? Enfim, os closes do rosto esculpido da figura serão abundantes, e aí o filme insiste demais nessa repetição para indicar aquilo que qualquer fã de filme de terror sabe desde o início: o barco está possuído pelo espírito vingativo de uma mulher.

Aí reside o verdadeiro problema de "A Possessão de Mary": é previsível além da conta. Em qualquer ponto da exibição é possível antecipar os próximos rumos da trama. David, Sarah e as meninas saem para o passeio inaugural, ao lado de um marinheiro experiente, amigo da família, e de um jovem aprendiz, que é namorado de Lindsey, a filha mais velha. E aos poucos o espírito de Mary começa a atacar a tripulação.

Talvez o filme fosse mais interessante sem a opção do diretor em contar o que aconteceu no barco em flashbacks, a partir do depoimento de Sarah na polícia, depois de ser resgatada no mar. Saber que ela sobreviveu à tragédia enfraquece um pouco o enredo. Mas o roteiro introduz um detalhe interessante: algum tempo antes, Sarah traiu David, que a perdoou. Isso não impede que exista uma tensão entre eles, que Oldman e Mortimer levam a um ótimo nível no meio dos aterradores fenômenos que presenciam no barco.

Um adepto fervoroso de filmes de terror pode relevar a previsibilidade do filme. Nesse gênero, criar uma atmosfera assustadora e resolver a história com um fechamento surpreendente valem muito, e "A Possessão de Mary" acerta nesses dois quesitos. E tem uma dupla de atores da pesada.

A POSSESSÃO DE MARY

Produção: EUA, 2019. 85 min

Direção: Michael Goi

Elenco: Gary Oldman, Jennifer Esposito, Emily Mortimer e Manuel Garcia-Rulfo

Classificação: 12 anos

Avaliação: bom