Terapia online grátis, petshop em casa: ideias para ajudar você e o mercado autônomo

Ideias para ajudar você, pequenos comércios e autônomos (Foto: Getty Images)

Vladimir Maluf (@vladmaluf)

Terapia online grátis, delivery de pequenos negócios e ajuda na carreira... Empresas e profissionais estão criando soluções, em tempos de pandemia, que podem ajudar você no seu dia a dia e, de quebra, colaborar com outras pessoas. Veja na lista abaixo se você precisa de ajuda, quer ajudar ou as duas coisas.

Delivery e serviços 

A plataforma digital "Compre do Pequeno SP" foi criada para reunir pequenos comerciantes e prestadores de serviço do estado de São Paulo. Já são 600 cadastrados e o número tende a aumentar. Lilian Sanches, sócia da Intentus Digital, responsável pela iniciativa, explica que a ideia é oferecer uma forma fácil para que o consumidor ache o que precisa e, por outro lado, divulgar o trabalho de quem precisa trabalhar. O "Compre Pequeno SP" está no Instagram e reúne comércios em geral, como mercadinhos, padarias e hortifrutis. Mas, também, prestadores de serviços: encanadores, eletricistas, cabeleireiros, pessoas que estão fazendo ovos de páscoa caseiros, bolos e uma infinidade de ofertas.

"Tem um pouco de tudo. Como é uma plataforma colaborativa, você pode cadastrar um vizinho que tem um pequeno comércio, mas não sabe usar bem a internet", exemplifica Lilian. "O profissional entrega o produto ou atende o cliente em casa e será orientado a seguir as indicações de higiene da OMS", diz. 

Petshop em casa

A Petlove, maior petshop online do Brasil, em parceria com o Vet Smart, antecipou o lançamento de um projeto: a iniciativa apoia clínicas veterinárias e petshops pequenos comercializando seus estoques através de um site de venda integrado à plataforma da marca. Os pequenos negócios podem divulgar e vender seus produtos online e a logística fica por conta da Petlove. Já são 200 lojas inscritas. "Decidimos antecipar esse lançamento para fomentar a receita dos estabelecimentos que serão mais atingidos", explica Marcio Waldman, fundador da Petlove. Para participar, o pequeno lojista precisa baixar o aplicativo da Vet Smart no celular e realizar o cadastro. A ferramenta pode ser baixada gratuitamente no Google Play e na App Store, da Apple.

Ajuda com currículo e cursos grátis

Mariana Busani, responsável pelo ecommerce da Eudora, do Grupo O Boticário, precisou, por segurança, ficar isolada durante 14 dias, após chegar de uma viagem internacional em meio à pandemia do novo coronavírus. Ela decidiu, então, oferecer no Linkedin ajuda a profissionais que precisam de dicas de carreira, melhorar o currículo ou perfil na rede profissional, estejam procurando emprego. "Acabei recebendo um número muito maior de mensagens do que estava prevendo", diz Mariana. Por isso, ela criou uma agenda com horários que tem disponíveis e, também, compartilha conteúdo em sua rede para ajudar as pessoas com as dúvidas mais comuns. Quem quiser melhorar o currículo pode contar, também, com instituições que têm oferecido cursos grátis. O site Estágio Online divulgou uma lista de 100 cursos gratuitos da Universidade de Harvard, nos EUA, para fazer pela internet, com direito a certificado. A plataforma também reuniu aulas gratuitas de outras importantes instituições de ensino e pesquisa, como FGVInsper, USP e Senai. O Senac também disponibilizou cursos gratuitos em diferentes áreas.  

Game contra o coronavírus

A LiveLab, organização sem fins lucrativos que desenvolve tecnologias e estratégias de jogos colaborativos para inovação social, criou um desafio para jovens entre 12 e 25 anos. Trata-se de uma um força tarefa voluntária de gamers, programadores, designers, roteiristas, educadores, administradores, médicos, arquitetos, engenheiros, estudantes secundaristas e universitários que foram convidados a criar um game, em apenas cinco dias. A ideia é somar os conhecimentos diversos e a criatividade desses jovens para a criação e a aplicação de soluções para conter a expansão do vírus -- reduzindo, assim, seus impactos na sociedade. Para participar dessa gincana (em casa e de graça), basta se inscrever no site da Jornada X.

Atendimento psicológico gratuito

Uma equipe de psicólogos, psicanalistas e médicos montou um grupo de atendimento online gratuito para pessoas com dificuldade de lidar com a angústia do confinamento. Segundo a psicanalista Fernanda de Sousa e Castro Noya Pinto, a intenção é ouvir as especificidades do sofrimento dos que procuram ajuda. "Estamos preocupados em entender as particularidades do sofrimento de cada um. Os discursos são parecidos, a princípio -- o medo de adoecer, de morrer --, mas cada indivíduo sente de um jeito", explica. Para o psicanalista Felipe Scatambulo, do mesmo grupo, é essencial cuidar de quem está na linha de frente do combate ao coronavírus. "Profissionais da saúde, trabalhadores da limpeza, do comércio essencial e do transporte, por exemplo, estão expostos a um enorme estresse. É fundamental que haja espaço para o cuidado da saúde mental deles", diz. "Trabalhei dez anos no SUS. Lá, vi como a saúde mental do trabalhador é negligenciada, em detrimento de cobranças de produtividade. Que essa situação nos faça valorizar o SUS e a saúde, física e mental, dos profissionais", completa Felipe. Para se cadastrar, o interessado acessa o site, preenche uma ficha e a equipe entra em contato em até 24 horas.

Ajuda a idosos e pessoas vulneráveis

Izabella Ceccato é fundadora da iniciativa "O Poder da Colaboração", que faz curadoria e divulga iniciativas beneficentes. "Lançamos uma campanha para divulgar ações em favor do coletivo. E são muitas", diz ela. Uma delas é chamada "A Cidade Contra o Coronavírus". A plataforma foi criada para amparar idosos e os demais grupos de risco durante o isolamento por causa da pandemia. A pessoa que precisa de ajuda ou quem está disposto a ajudar se cadastra no site, de qualquer lugar do Brasil, para participar. São ações essenciais para pessoas mais vulneráveis, como uma ajudinha com as compras, ida até a farmácia, passear com o cachorro ou só bater um papo por telefone ou Whatsapp com quem está precisando conversar.

Ajuda a costureiras

Suéli do Socorro Feio tem um projeto chamado Costurando Sonhos Brasil, realizado em Paraisópolis, São Paulo. O projeto ensina corte e costura, ajuda mulheres a entrar no mercado de trabalho e fortalece a autoestima das alunas -- muitas, vítimas de violência doméstica e que têm a costura como única fonte de renda. "Estávamos crescendo, indo para outras comunidades, mas veio o coronavírus." Agora, a equipe do projeto está trabalhando em casa, com máquinas emprestadas. "Criamos o projeto Home Office das Costureiras da Comunidade do Brasil." Quem quiser colaborar pode comprar produtos no site ou na americanas.com. Empresas interessadas em comprar produtos em maior escala (como ecobags, necessaires e outros itens) podem entrar em contato, também. "Empresas também podem contratar as profissionais para fazer máscaras caseiras."

Apoio a empreendedores

Diferentes profissionais estão oferecendo apoio para pequenos empreendedores lidarem com os negócios durante o período de confinamento. A Rede Mulheres que Decidem é uma escola de negócios para a mulher empreendedora. "Diante desse momento, percebemos que muitas começaram a se desesperar por causa de seus negócios, gerando ansiedade, depressão, angústia", conta Priscilia Queiroz, da Rede.

Ela criou um grupo online de estudos que trabalha mente, corpo e espírito. "Começamos com uma mentalização, depois temos uma aula de zumba e, aí, a gente faz o estudo. Temos tópicos diários sobre diversos temas: impactos nos negócios, novas oportunidades, ressignificação da empresa já existente", exemplifica Priscilia. Para participar, o grupo cobra R$ 49,90, valor integralmente revertido para a compra de cestas básicas. Basta comprar o ingresso pela internet.

Naiara Correa, consultora de negócios e fundadora da Be The Talent, está usando o Instagram para fazer lives com orientação para empreendedores. "Convido especialistas e empresários para discutir rotina do negócio, finanças, criatividade, desafios em tempos de coronavírus...", diz Naiara. "Escolhi essa forma de me comunicar, pois não seria viável atender a todos que me procuram individualmente, mas também estou tentando fazer isso com alguns interessados."