Tenet é uma viagem no tempo interessante, mas cansativa e longa

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
Robert Pattinson e John David Washington em 'Tenet' (Foto: Divulgação)
Robert Pattinson e John David Washington em 'Tenet' (Foto: Divulgação)

'Tenet' não é a salvação do cinema. Não que isso tenha alguma ligação com a qualidade do novo filme de Christopher Nolan, é apenas um fato comprovado pelos meses de pandemia e resultados da bilheteria apressada que a Warner tentou emplacar no longa. Todavia, se tivesse estreado em um mundo sem coronavírus, talvez a situação não fosse tão diferente, afinal, não se trata de um trabalho acima da média dentro de uma carreira cheia de acertos do cineasta inglês.

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'Tenet' é um filme de investigação e roubo misturado com viagem no tempo. O que diferencia ele dos demais projetos que misturam tais gêneros são as ferramentas usadas para tal, assim como a proposta estética de Nolan para embarcar o espectador na complexa ideia do tempo invertido. Na trama, enquanto o mundo segue o fluxo normal, alguns objetos e pessoas estão em uma linha do tempo inversa, o que faz dois momentos distintos acontecerem numa mesma cena. O truque gera alguma cenas de ação incríveis (de um avião inteiro sendo destruído até uma perseguição de carro reversa) e uma história que se fecha de forma interessante, apesar de cansativa.

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O cansaço não vem só pelas 2h30 de projeção, mas por mais da metade dela ser protagonizada por personagens que são avatares ambulantes de um tutorial que explica como entender 'Tenet'. Diferente do que fez em filmes como 'A Origem' e 'Interestelar', onde explicava o óbvio e negava ao espectador a se emocionar com imagens, Nolan acertadamente explica Tenet passo a passo. Ao mesmo tempo que isso envolve por apresentar ideias realmente divertidas — é sensacional acompanhar o fluxo invertido —, deixa evidente o esvaziamento das jornadas dos protagonistas, o que não chega a ser uma novidade quando se trata de Nolan.

A obsessão em lançar o longa no auge da pandemia não se explica. O filme é divertido, inventivo e traz cenas de ação que estarão na primeira prateleira da carreira de Nolan. Por outro lado, a não ser pelas ótimas atuações de Robert Pattinson e John David Washington, não há muito o que se encantar com as pessoas. Relações vazias, motivações primárias e sem o efeito apocalíptico alardeado pelo roteiro a todo momento. A engenhosidade com que apresenta uma trama de viagem no tempo faz com que Tenet seja interessante o suficiente para uma conferida eventual, mas nada que torne ele uma experiência fora do normal ou mesmo mereça grande destaque na carreira do cara que já fez 'Amnésia', 'Cavaleiro das Trevas' e 'O Grande Truque'.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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