Simone Biles mostra que desistir também é coragem e força

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A ginasta americana Simone Biles saiu da final do individual geral em prol de sua saúde mental (Foto: Loic VENANCE / AFP/Getty Images)
A ginasta americana Simone Biles saiu da final do individual geral em prol de sua saúde mental (Foto: Loic VENANCE / AFP/Getty Images)

Os Jogos Olímpicos de Tóquio começaram há menos de uma semana e já trouxeram uma série de questionamentos sobre um evento desse porte acontecer no meio de uma pandemia. E um assunto totalmente relacionado a isso que, talvez, ainda não tivesse ficado claro no âmbito esportivo até agora, mas que começou a ganhar mais visibilidade, é o da saúde mental. O por quê? A estrela da ginástica norte-americana, Simone Biles, decidiu sair da competição para poupar a si mesma.

Simone optou por deixar a final por equipes na terça (27) depois de apenas uma prova - ela participaria em quatro aparelhos diferentes - por conta de uma "condição médica", segundo a assessoria de imprensa da equipe. No entanto, mais tarde, em uma coletiva, explicou que não estava fisicamente machucada. "Senti que seria melhor ficar no banco. Não queria colocar a equipe em risco porque ela trabalhou muito para que eu estragasse tudo", explicou.

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Na madrugada desta quarta (28), a Federação Gmericana de Ginástica anunciou que Biles não disputaria a final do individual geral, marcada para quinta (29), para focar em sua saúde mental. Ela seguirá em observação da equipe médica da federação para decidir se participará das três finais de aparelhos - salto, trave e solo - na próxima semana.

Fora isso, desde o começo dos Jogos Olímpicos, a atleta explicou que tem sentido na pele a pressão de participar de mais uma Olimpíada - ela é considerada uma das melhores ginastas do mundo -, mas que a pandemia de coronavírus, ou seja, as circunstâncias globais, não têm facilitado. "Nós deveríamos estar nos divertindo, e esse não é o caso", disse numa coletiva de imprensa em Tóquio. "Esses Jogos Olímpicos, eu queria que fossem por mim, e eu sinto que ainda estou fazendo por outras pessoas. E isso machuca o meu coração, saber que fazer o que eu amo tenha sido tirado de mim."

E a saúde mental dos atletas, como vai?

É um equívoco pensar que atletas do nível de Simone não sintam pressão pela alta performance exigida no tablado - ou em qualquer outra prática esportiva -, ainda mais no meio de uma pandemia. Aliás, a ideia de que o esporte é um entretenimento e uma fonte de distração para o público geral pode até ser verdade, mas e quanto à saúde mental, o entretenimento e a distração de quem é atleta por profissão?

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Assim como em relação à fama, essa é uma discussão ampla e com muitas nuances, mas é um fato que a depressão e a ansiedade são assuntos pouco comuns no âmbito esportivo. A tenista Naomi Osaka, por exemplo, é uma das poucas que amplamente falou sobre as suas dificuldades com a depressão ao longo dos anos. Agora, Simone também começou a dar sinais que tem dificuldades assim como qualquer outra pessoa: "Às vezes, eu sinto mesmo como se o peso do mundo estivesse nos meus ombros", escreveu ela no Instagram.

Some a isso uma história de abuso sexual no tablado que, com certeza, deixa marcas em qualquer pessoa. Simone faz parte do grupo de mais de 120 atletas que acusaram o ex-coordenador médico da equipe norte-americana de assédio sexual, em 2015. De lá para cá, muita coisa aconteceu, mas o estresse e o trauma que uma vivência como esse pode causar é difícil de mensurar. O fato de Simone ter deixado a competição, mas, ainda assim, se mantido presente para torcer pelas colegas é impressionante e admirável.

No mundo, há mais de 300 milhões de pessoas que lidam com a depressão, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde. Os números de abuso e assédio sexual, globalmente falando, são estrondosos (só no Brasil, diz-se que uma mulher é estuprada a cada 8 minutos). Imaginar que tudo isso não apareça no esporte é ingenuidade e, no mínimo, há de se admirar muito uma atleta que decida se retirar de um dos eventos mais importantes da carreira para cuidar da própria saúde emocional e mental.

Em Tóquio, Simone pode não ter subido ao pódio, mas, por mais clichê que pareça, já saiu de lá uma vencedora por topar colocar a si mesma em primeiro lugar, ainda que, aparentemente, à custa de uma medalha olímpica. Que a sua coragem sirva de exemplo e incentivo para que mais pessoas possam, como ela, entender que os seus limites nem sempre são físicos, mas emocionais.

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