Tem hora certa para deixar crianças entrarem nas redes sociais? Veja dicas para conexão mais saudável

Com as redes sociais se tornando cada vez mais populares entre crianças e adolescentes jovens, acende-se o alerta entre os pais e responsáveis sobre os limites que devem ser impostos e os possíveis riscos que a internet oferece para os pequenos.

De acordo com Rosa Mariotto, psicanalista e doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pela USP, não há uma idade específica que torne segura a entrada de uma criança nas redes, o que pode tornar a decisão mais difícil. “O que devemos levar em consideração é a capacidade de discernimento desses jovens em relação aos limites, em saber quais conteúdos podem ou não acessar”, afirma.

O problema, aponta a especialista, é que isso pode se tornar muito difícil, especialmente se o exemplo de bom senso não vem dos responsáveis. “Muitos pais não têm capacidade de perceber o efeito que isso pode vir a trazer para os jovens. A ideia de se algo não está postado, não existe, já é transmitida muito cedo para criança, que pode passar a pensar: ‘eu existo, mas com menor valor sem o espetáculo da exposição’.”

O mais importante ao permitir a entrada no universo digital, diz a psicóloga, é sempre uma espécie de acompanhamento do adulto. “Pode parecer clichê, mas sabemos o quanto os pequenos estão à deriva. Se os pais ou responsáveis acompanham minimamente o que essa criança está fazendo, isso já dá a ela, de certo modo, a ideia de que não está tão sozinha.”

Riscos à saúde mental

Além do risco de serem expostos a interações com desconhecidos e a conteúdos de violência, pornografia e outros assuntos não recomendados para aqueles que não são adultos, a saúde mental de crianças e jovens também pode ser afetada por se compararem com outras pessoas na internet.

“É possível que desenvolvam quadros de ansiedade, baixa autoestima e até depressão por buscarem, curtidas e visualizações incessantemente, além de estarem sempre acompanhando a vida glamurosa de outros jovens, que supostamente têm um estilo de vida perfeito”, diz Jaqueline Bifano, psiquiatra da infância e adolescência pelo Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Segundo Mariotto, já é possível observar muitos desses efeitos nos consultórios. “O sofrimento é causado pelas imagens que esses jovens veem e aspiram uma semelhança. Uma paciente minha, por exemplo, queria o cabelo igual a de uma influenciadora do TikTok. Quando não é possível obter esse modelo específico, o mundo dessas crianças e adolescentes cai.”

Dicas práticas para quem já está nas redes

Abaixo, as profissionais elencam boas práticas para os pais e responsáveis:

  • Restringir horários. Assim como tudo na vida tem rotina, rede social também precisa ter;

  • Ficar de olho em quem as crianças seguem, com quem elas conversam e o que postam;

  • Deixar claro no perfil que é administrado pelos pais;

  • Mantenha a curiosidade sobre o os assuntos que seu filho busca;

  • Proponha outras atividades;

  • Produza conteúdo em família – uma forma divertida de envolver os pais, que acaba se tornando uma atividade lúdica;

  • Avaliem, junto com a criança, se aquele tema é pertinente naquele momento do desenvolvimento;

Instagram já anunciou mudanças para público jovem

No dia 7 de dezembro, o Instagram anunciou uma série de novas práticas para seus usuários menores de idade. De acordo com a empresa, o aplicativo será mais rígido com os tipos de conteúdo que recomenda aos adolescentes e os transferirá para áreas diferentes se eles se concentrarem em um tópico por muito tempo. Ainda não sabemos quando as novas funções devem ser liberadas para os usuários brasileiros.