Como a tecnologia pode ajudar no combate ao coronavírus

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Os casos de pacientes infectados pelo coronavírus estão crescendo em vários países do mundo. Nos últimos dias, o Brasil tem presenciado uma onda de empresas, hospitais e instituições públicas buscando maneiras de combater a COVID-19 e evitar que a situação piore no país. A resposta pode estar na tecnologia.

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Plataformas que facilitam a conexão entre pessoas podem ser a saída para que hospitais desafoguem suas filas e, principalmente, para que empresas possibilitem o trabalho remoto.

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“Na época da epidemia de H1N1, não tínhamos facilidades tecnológicas. A internet ainda estava se desenvolvendo”, explica Regina Mendonça, pesquisadora em saúde e tecnologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Hoje, podemos nos valer da conexão facilitada para evitar multidões, diminuir o contato e amplificar cuidados médicos”.

Telemedicina e hospitais ‘fast food’

Uma das saídas para evitar aglomerações e dificuldades no tratamento é o uso de telemedicina como forma de primeiro contato entre médicos e pacientes. Além desta primeira interação, o atendimento por meios digitais ainda é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Startups como Teldoctor e Teladoc já permitem que pessoas passem por triagem e por um primeiro contato com médicos sem sair de casa, evitando ampliar o contágio. Hoje, 90% dos médicos acreditam que novas tecnologias, com padrão de segurança e ética, podem ajudar a melhorar a saúde da população, segundo pesquisa da Associação Paulista de Medicina.

“A telemedicina tem uma aplicabilidade muito ampla no momento de pandemia”, resume Natália Madureira, médica da Vitta, empresa responsável por criar o primeiro plano de saúde para startups no Brasil. “Pode ser feita uma teletriagem de pacientes com dúvidas e que vieram de países de risco. Além de um telemonitoramento de pacientes isolados”.

O Brasil também poderia seguir os passos da China, que começou a conter o avanço da epidemia, e construir um hospital em 10 dias. Para isso, basta usar módulos pré-fabricados e prepará-los para os doentes.

“Os chineses primeiro deixaram o terreno plano e depois construíram uma fundação de concreto, chamada de radier. Pronto. O resto do hospital foi montado como peças de LEGO, usando módulos”, afirma o professor João Carlos Gabriel, coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O Brasil pode fazer isso”.

No entanto, o professor alega que a burocracia poderia impedir a construção rápida. Assim, um plano emergencial do governo teria que ser aprovado pelo Congresso e pelo Senado.

Conexão e home office

Além da área da saúde, plataformas podem ajudar empresas na gestão de trabalho e fazer com que tudo aconteça na nuvem. Startups como Pipefy, Convenia e Omie oferecem soluções integradas de gestão digital e podem auxiliar, neste momento, para que empresas continuem funcionando mesmo com seus colaboradores longe do escritório.

“Grande parte das pessoas estão trabalhando remotamente”, afirma Giovanni Riva, líder de employer branding da Pipefy, plataforma de gestão do trabalho. “Ajudamos na organização, no controle e no gerenciamento de tarefas em um sistema em nuvem. Isso significa que um funcionário não precisa estar fisicamente lá para ver quando uma demanda foi criada”.

Já a Omie facilita as soluções financeiras de empresas. “Nosso sistema de gestão inclui emissão de notas e boletos, controle de estoque, entre diversas outras funcionalidades, incluindo a antecipação de recebíveis. Isso pode ajudar a empresa a manter a liquidez em meio a um momento complexo como este”, diz Marcelo Lombardo, fundador da empresa.

A Convenia é uma startup que pode facilitar a gestão de funcionários em casa. “São ferramentas pensadas na descentralização do RH, permitindo que qualquer funcionário consiga auto-gerenciar de qualquer lugar os processos de departamento pessoal com entrega online de atestados médicos e ponto digital”, diz Marcelo Furtado, CEO da startup.

Digitalizando serviços 

Por último, existem startups que oferecem tecnologia para que alguns serviços básicos do dia a dia sejam encurtados digitalmente. Por exemplo: como empresas devem proceder, nesse momento, para contratar novos funcionários? Tem como fazer processo seletivo? A Jobecam permite que toda a contratação de funcionários pode ser feita remotamente.

“A nossa plataforma possibilita ao candidato a gravar, em um ambiente seguro e fácil, um vídeo currículo, uma entrevista pré-customizada ou até mesmo participar de conversas com recrutadores de forma remota”, explica Cammila Yochabell, fundadora e CEO da Jobecam. “A procura por nossa plataforma, desde quinta (12), cresceu cerca de 200%”.