Como uma técnica brasileira ajudou o Canadá a ter a melhor dupla de vôlei de praia do mundo

(Foto: Ivo Felipe)


Por Ivo Felipe

Quando Adriana Bento deixou o Brasil, em 2010, não fazia ideia se conseguiria voltar a trabalhar com o esporte que praticou durante toda a vida. A paulista, hoje com 48 anos, mudou-se com o marido para o Canadá e trouxe consigo a bagagem de quem havia representado o Brasil em Jogos Pan-Americanos e em Mundiais de vôlei de praia. Experiência que seria de grande valia e anos mais tarde a colocaria em posição de ajudar na formação da atual campeã mundial da modalidade. 

O acaso teve sua participação no retorno de Adriana ao vôlei. Em um dos primeiros passeios que fez por Toronto, sua então nova cidade, cruzou uma antiga rival da areia, a canadense Kristine Drakich. As duas se enfrentam por anos no Circuito Mundial, e Kristine liderava a equipe de vôlei de quadra da Universidade de Toronto. Bastou uma breve conversa para chegar o convite para integrar o estafe técnico da escola. 

“Foi uma coincidência enorme. Passamos pela Kristine em um semáforo e eu logo a reconheci, já que nos enfrentamos por muitas vezes no vôlei de praia. Quando eu contei a ela que estava morando no Canadá, ela não hesitou em me chamar para trabalhar com ela”, contou Adriana. 

O início no vôlei de praia canadense teve a ajuda de uma figura conhecida do vôlei brasileiro. Ary Graça, ex-presidente da Confederação Brasileira (CBV) e atual presidente da Federação Internacional (FIVB, na sigla em inglês) entrou em contato com a Volley Canada, entidade que rege esporte no país, e a indicou. 

(Foto: Ivo Felipe)

Após uma primeira passagem, que encerrou-se em 2012, foi convidada em 2013 para trabalhar na federação com Steve Anderson, que havia levado a dupla Cook e Pottharst ao título olímpico em Sydney 2000. Os dois tornaram-se responsáveis pelo projeto “Next Gen” da Volley Canada, que promove o desenvolvimento de jovens com potencial para o vôlei de praia.  

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Entre as atletas que passaram pelo crivo de Adriana Bento esteve Melissa Humana-Paredes. A jogadora foi guiada por ela no Pan de 2015 em Toronto e em sua fase de transição para as maiores competições internacionais.  Os resultados não tardaram: em 2019, Melissa atuou ao lado de Sarah Pavan e deu ao Canadá seu primeiro título mundial da modalidade, em Hamburgo, na Alemanha. 

“A Melissa sempre esteve na seleção de forma bem diferenciada. Ela teve uma base muito boa com o pai dela, e até por causa de sua origem latino-americana sempre ambicionou medalhas. Estive com ela na temporada de 2015, mas sempre digo que todos tiveram participação na formação, principalmente o pai dela, Hernán, que é ex-jogador”, disse Adriana, em meios aos treinos no centro indoor de vôlei de praia de Downsview Park, em Toronto. 

Os frutos do trabalho de Adriana e Steve Anderson com a nova geração do vôlei de praia canadense são evidentes. No feminino, duas duplas estão entre as 16 melhores do mundo - feito igualado apenas por Brasil e Estados Unidos, países com uma tradição muito maior no esporte, e pela Suíça. 

A menos de um ano dos Jogos de Tóquio, Melissa foi escolhida como melhor levantadora e defensora do mundo, enquanto Sarah foi eleita a melhor bloqueadora do planeta. Sem nunca ter subido ao pódio olímpico feminino no vôlei de praia, o Canadá aguarda ansiosamente o desfecho do ciclo. “A expectativa da Olimpíada é enorme, e hoje o Canadá é visto com muito mais respeito pelo mundo”, disse Adriana.

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