Tarantino é acusado de machismo e "tribunal das redes sociais" debate o caso

Quentin Tarantino ao lado da atriz Margot Robbie, durante coletiva no Festival de Cannes (Foto: John Phillips/Getty Images)

Quentin Tarantino é mais um cineasta a ter a postura questionada no tribunal das redes sociais. O diretor se envolveu numa polêmica ao fechar a cara para uma repórter durante a coletiva de imprensa de seu novo filme, ‘Era Uma Vez em Hollywood’, após a estreia no Festival de Cannes nesta semana.

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O climão aconteceu após uma jornalista do jornal The New York Times pedir a palavra e perguntar sobre o fato de Tarantino ter escalado Margot Robbie para o elenco e lhe dar poucas falas, numa insinuação que ele teria explorado apenas as belas feições da atriz, mas não seu talento dramático.

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“Eu rejeito sua hipótese”, respondeu o cineasta, de forma seca. Após alguns incômodos segundos de silêncio, Robbie interveio, garantindo que não teve a mesma impressão que a repórter.

“Senti que eu tive muito tempo para explorar a personagem sem diálogo, o que é algo interessante. Raramente eu tenho uma oportunidade de passar tanto tempo isolada com minha personagem”, afirmou ela, que interpreta a também atriz Sharon Tate, assassinada por seguidores do culto de Charlie Manson em 1969.

Repercussão na web

Tão logo os relatos da coletiva foram publicados, durante a última quarta-feira, muitos comentários foram feitos sobre o assunto. O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, que também está em Cannes, onde apresentou o longa ‘Bacurau’, defendeu Tarantino no Twitter:

Mendonça é uma das poucas pessoas no mundo que já viram o filme, por enquanto exibido apenas no festival francês (a estreia no Brasil acontece em 15 de agosto). Mesmo assim, no caso de muitos usuários das redes sociais, o fato de ainda não terem assistido a ‘Era uma Vez em Hollywood’ não impediu de já tiraram suas conclusões:

Tarantino se defende

Mais tarde, em entrevista ao site Indiewire, Tarantino disse que teve que deixar de fora muita coisa que rodou, mesmo o filme tendo sido apresentado em Cannes com 2 horas e 40 minutos de duração.

“Havia um pouco mais dela [Sharon Tate, personagem de Margot Robbie] no filme, mas tive que cortar cenas de todo mundo. Não é a história dela. É a história de Rick [personagem de Leonardo DiCaprio]. Não é nem de Cliff [personagem de Brad Pitt]. E ela é uma presença angelical durante o filme, um fantasma angelical na Terra. Num certo nível ela não está no filme, está nos nossos corações”, explicou.

Vale lembrar que muito antes do empoderamento feminino virar termo da moda no cinema norte-americano, o cineasta criou protagonistas femininas fortes em filmes como ‘Jackie Brown’, ‘Kill Bill’ e ‘À Prova de Morte’.

Porém, desde a explosão do escândalo de assédio sexual envolvendo Harvey Weistein, produtor responsável pelos primeiros filmes de Tarantino, o cineasta tem sido alvo de questionamentos. No ano passado, a atriz Uma Thurman divulgou um relato em que diz ter sido forçada a gravar uma cena de perseguição em ‘Kill Bill’ mesmo sem se sentir completamente segura. Na ocasião, ela mesma disse que o diretor se arrependeu do caso logo depois.