Tapa de Will Smith parece ter acertado comediantes do Brasil

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Will Smith (R) hits Chris Rock as Rock spoke on stage during the 94th Academy Awards in Hollywood, Los Angeles, California, U.S., March 27, 2022. Picture taken March 27, 2022. REUTERS/Brian Snyder BEST AVAILABLE QUALITY
Will Smith (R) hits Chris Rock as Rock spoke on stage during the 94th Academy Awards in Hollywood, Los Angeles, California, U.S., March 27, 2022. Picture taken March 27, 2022. REUTERS/Brian Snyder BEST AVAILABLE QUALITY

Resumo da notícia:

  • Tapa de Will Smith parece ter acertado comediantes do Brasil

  • Parece que a carapuça da piada de mau gosto de Chris Rock serviu em alguns nomes brasileiros

  • É preciso entender que a liberdade de expressão termina onde começa a dor de alguém

Qual o limite do humor? Entre comediantes, essa pergunta é sempre alvo de chacota como a questão chave de qualquer entrevista. Isso porque o assunto incomoda, faz pensar e tira qualquer humorista da zona de conforto blindada de problematizações.

O tapa de Will Smith fez brotar comediante dos bueiros do Twitter e ressuscitou até a turma do "CQC". Sabe por quê? Doeu neles. Parece que a carapuça da piada de mau gosto de Chris Rock serviu como uma luva e o receio da reação proporcional chegar ao palcos do Brasil foi claro. E o que fazer para evitar que o episódio do Oscar aconteça por aqui?

Antes de refletir sobre isso, vamos relembrar o que aconteceu. Chris Rock fez uma piada com o visual careca de Jada Pinkett Smith ao compará-la com a protagonista de "G.I. Jane", vivida por Demi Moore em 1997, sem cabelos. O detalhe é que a atriz foi diagnosticada com alopecia, doença autoimune que causa queda capilar, e o comentário a deixou extremamente desconfortável.

Sem pensar duas vezes ao ver sua esposa constrangida, Will Smith foi em direção ao apresentador e estapeou seu rosto no meio de uma cerimônia mundial. Na sequência, ainda mandou Chris Rock tirar o nome de sua amada da boca.

Há quem critique a violência usada por Smith no auge de sua indignação e repudie a brincadeira infeliz feita por Rock, há quem apoie a atitude impulsiva do ator porque, às vezes, um comentário ofensivo pode ser mais humilhante do que um tapa na cara, mas também há quem defenda o direito de Chris Rock ter feito a piada e aí mora o problema.

"O melhor argumento é: “Gente, mas a piada foi de mal gosto”. Bacana… vai lá ver o Patati Patatá que o episódio de amanhã tá show", escreveu Rafinha Bastos no Twitter. "Chris Rock fez PIADA. Todos riram. Clima leve", publicou Danilo Gentili ao comparar o efeito de uma piada (sem medir o que foi dito) com o de uma agressão.

Em pleno 2022, não deveríamos testemunhar nomes de grande influência na comédia brasileira se posicionarem a favor do que venha a ferir a moral de alguém. A questão não é se o tapa foi justificável e nem sobre o tipo de humor escolhido, mas que existe uma forma de comédia que não se tolera mais: a do desrespeito.

E há em quem se espelhe no Brasil como alguém que decidiu aprender a não errar mais quando percebeu que a graça não estava mais na ausência de respeito. Tatá Werneck é um nome a ser reconhecido como humorista do século XXI adequada às evoluções sociais do presente.

Depois de ser criticada por uma piada transfóbica no palco do "Lady Night", a apresentadora contratou Ana Flor, uma mulher trans e acadêmica e mestranda em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), para avaliar seu roteiro antes de ir ao ar. E não! Isso não é censura. É preciso entender que a liberdade de expressão termina onde começa a dor de alguém.

"Quero que divirta, mas não que seja essa parada descompromissada com tudo. De repente, você tá lá e faz uma piada e, quando vê, tá sendo gordofóbica. Não quero essa coisa [da desculpa] ‘O humor acima de tudo’. Não penso assim...Mais. O mundo mudou para gente que tava viajando, porque já era errado. Sempre foi doloroso para quem estava sendo discriminado com essa carapuça do humor", chegou a declarar Tatá para a jornalista Mônica Bérgamo.

O fato é que o escândalo envolvido por Will Smith e Chris Rock pode servir de régua moral para os humoristas brasileiros. Medo de violência não é a melhor forma de implantar o respeito, mas não há dúvidas que a reação exacerbada do ator fez uma pequena confusão na mente daqueles que vivem do riso. O que resta é ter esperança de que eles repensem na forma como querem tirar sarro das situações.

                      

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