Arbitragem é ruim? Pois a análise de futebol na TV é tão pobre quanto

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Foto: Rubens Chiri/Site do São Paulo FC

Quatro grandes clássicos no domingo, dois deles entre times na parte de cima da tabela do Campeonato Brasileiro (Cruzeiro x Atlético e Corinthians x São Paulo) e ambos com placar final 3 a 2, cinco gols cada, dez no total, partidas muito boas e nos programas esportivos da segunda-feira só se falou de arbitragem, tão medíocre quanto as análises de futebol na TV.

Canais esportivos da televisão fechada, supostamente especializados em esporte, deveriam ser mais ricos em análise. Sobretudo em futebol, já que a grosso modo há mais “comentaristas de futebol” que analistas esportivos (esses, só vemos em Olimpíadas). Convenhamos que se a especialidade dessa gente é analisar quase que apenas futebol, espera-se, no mínimo, um ótimo trabalho.

Salvo tenhamos perdido algo, a última segunda-feira não teve NENHUMA análise aprofundando aspectos técnicos e táticos dos principais duelos do último fim de semana. Falou-se muito superficialmente, coisa bem rápida, mas looonge do mínimo aceitável. Priorizou-se, e segue assim nesta terça, discussões intermináveis sobre “mão na bola x bola na mão”.

Mas e quanto àquele telespectador mais exigente, que não se contenta com a discussão de bar sobre “erro do juiz” e quer entender por que seu time ganhou ou perdeu um jogo, sobre quais erros/acertos das equipes geraram o resultado final nos clássicos? Bom, a julgar pelas discussões nos programas que debatem futebol por aqui, esse torcedor vai ficar sem esse bom serviço. Análise aprofundada sobre os jogos foi tudo o que não se viu nos últimos dias, substituída que foi pela polêmica vazia sobre erros de arbitragem.

Não se trata de ignorar o tema “arbitragem”, é notícia, então deve ser assunto, mas ficar só nisso é cômodo, pobre, medíocre, e não coisa de jornalista especialista em futebol, supostamente capacitado para ir além e fazer a “leitura do jogo”: aspectos técnicos e táticos da bola rolando.

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Foto: Bruno Cantini/Atlético

Somar as chances de gol criadas pelos times e dizer que tal equipe criou mais é válido, claro, mas isso quem assistiu viu, assim como as falhas das defesas nos lances que resultaram nos gols. Espera-se desses analistas a explicação, geralmente não muito clara para o telespectador, do porquê dessas falhas, técnicas e/ou táticas. Aguarda-se verdadeiras aulas para o telespectador sobre o porquê de um time que criou menos terminou vencedor da partida. Algo de bom fez, né? Ao menos, estrategicamente, há o que se apontar de mérito.

A arbitragem brasileira é ruim? É, sem dúvida, assim como a medíocre análise de futebol na televisão, incluindo os canais especializados em esporte da TV fechada. Por comodidade ou incapacidade analítica, ou eventualmente por opção, mesmo, em busca da audiência fácil em cima de polêmicas.

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Há muita gente capacitada no meio esportivo, alguns dentro e muitos fora da TV, com análises ricas em sites e blogs. Falta só isso chegar ao telespectador.

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