"A Grande Família" vai deixar saudades

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As aventuras da família Silva chega ao fim (Foto: divulgação/Globo)

Vai ao ar hoje, às 22h30, o último episódio de “A Grande Família”. Com isso chega ao fim uma das séries mais longevas da televisão brasileira: foram 14 temporadas e 489 episódios. Desde 2001 no ar, a comédia que narra as a aventuras de uma família do subúrbio interrompe sua trajetória com boa audiência (cerca de 20 pontos) e gozando da simpatia de público e crítica. Coisa rara de se ver.

Muita gente se pergunta porque um programa com audiência estável resolve colocar um ponto final em sua história. Nos últimos meses, os principais atores da série – Marco Nanini, Marieta Severo, Pedro Cardoso, entre outros – deixaram a entender que há um certo desgaste interpretativo – o famoso “já deu o que tinha de dar”. Acho compreensível que chegue ao fim. Atores gostam de desafios e passar mais de uma década numa mesma série ou novela deve ser exaustivo. Se quisessem estabilidade, eles teriam escolhido o funcionalismo público em vez da carreira de ator.

O raciocínio não se aplica ao teatro, no qual peças são mantidas em cartaz às vezes por décadas. Interpretar o mesmo texto todas as noites com regularidade é muito diferente de decorar um novo script a cada semana.

As aventuras de Lineu, Nenê, Agostinho, Bebel e Tuco farão falta. Trata-se de um daqueles raros momentos em que boa audiência casa com boa dramaturgia. “A Grande Família” era beneficiada por um elenco de primeira, texto afinado e direção correta – e tudo isso temperado pela despretensão, o que por si só já é uma benção.

Pode soar contraditório essa simpatia pela série, já que ontem escrevi que não gosto do humor suburbano de Miguel Falabella. Mas há diferenças cruciais entre “Pé na Cova” e “A Grande Família”. Enquanto o primeiro investe na caricatura da classe social (as falas de Ruço sempre remetiam ao fato de pobre gostar disso ou daquilo), o segundo aposta na caricatura do tipo humano.

Talvez seja uma herança da primeira fase, em 1972, quando Oduvaldo Vianna Filho criou os primeiros textos juntamente com Armando Costa e Max Nunes. Vianinha era um fino dramaturgo, autor de peças como “A Mão na Luva” e “Rasga Coração”. Em sua segunda encarnação o texto ficou mais leve, mas não perdeu o olhar sensível para as questões do cotidiano.

Agora a Globo estuda colocar no ar uma comédia com a “mesma pegada”, o que, na compreensão da emissora seriam “personagens suburbanos, com ligação familiar e forte apelo junto às classes C e D”. Pronto, lá vem…

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Por enquanto, o que teremos no lugar das aventuras da família Silva será a nova temporada do talent show “The Voice Brasil”. Já estou sentindo saudades de “A Grande Família”.