Temporada final de Dexter começa nos EUA

Com Dexter as pessoas assumiram amar e torcer por um serial killer. Essa talvez seja uma das principais características do seriado, baseado no livro de Jeff Lindsay (chamado de Darkly Dreaming Dexter), que chega a sua temporada final no próximo dia 30 (por enquanto, só nos Estados Unidos).

Claro que sempre existiram anti-heróis apaixonantes na TV, como Al Bundy de Married With Children, House, Homer Simpson, Eric de True Blood e Kevin Underwood de House of Cards, só para citar alguns dos meus preferidos - e com diferentes níveis de posturas "politicamente incorretas". Mas psicopata mesmo, que sente necessidade de matar e prazer com a carnificina (sem ser um vampiro, que fique bem claro) só Dexter, que é interpretado lindamente por Michael C. Hall.

Desde o início acompanhamos as angústias do analista forense da polícia de Miami (sim, ele poderia estar em CSI) por ser do jeito que é, por ter que reprimir o jeito que é, por seguir um código de conduta ensinado pelo pai adotivo que era policial, por fingir ser um homem "normal" e por sua solidão. Porque, em todas as temporadas, é possível perceber uma coisa: Dexter quer desesperadamente ter um amigo. Eu sei que essa parece ser uma afirmação superficial mas, pelo menos para mim, faz todo o sentido: Dexter é muito solitário e o seu maior desejo não é ser um "cara normal" deixando de ter os impulsos assassinos; seu maior desejo é poder dividir tudo , absolutamente tudo, com alguém.

E vários personagens interessantes e marcantes passaram pela sua vida criando relações atípicas e cenas incríveis como no belíssimo diálogo entre ele e Isaac Sirko (Ray Stevenson) no balcão de um bar, as conversas sobre religião com Sam (Mos Def), o incrível jogo de gato e rato com Brian Moser/Rudy Cooper (Christian Camargo) e as 'parcerias' com Lumem (Julia Stiles) e Hanna (Yvonne Strahovski). E por falar em Hanna, seu possível retorno é muito esperado nesse "início do fim" já que, aparentemente, ela seria a mulher perfeita para o nosso "malvado favorito".

O elenco fixo da série também sempre teve figuras extremamente peculiares que tornavam a rotina de trabalho na delegacia muito bacana como Debra Morgan (Jennifer Carpenter), Angel Batista (David Zayas), Vince Masuka (C.S. Lee) e Maria LaGuerta (Lauren Vélez).

Quem acompanha sabe que a sétima temporada terminou de forma chocante e a oitava recomeça seis meses após a morte de LaGuerta. Deb está completamente descontrolada - ela que, apesar de ser a "irmã coadjuvante", sempre teve um papel muito importante em todos os momentos, em especial nesse caminho final - e Dexter segue levando a sua vida habitual, cuidando do filho, trabalhando, duelando com outros psicopatas e tentando encobrir seus rastros que, pelo visto, estão sendo seguidos de perto por uma nova personagem que aparecerá na trama.

Apesar de ter ficado repetitiva com todo o discurso sobre o seu "passageiro obscuro", seus "instintos" e seu "verdadeiro eu", a série acaba no momento certo para evitar dar voltas eternas no mesmo tema e cair na mediocridade, como costuma acontecer aos montes por aí. Espero que esse encerramento seja feito não apenas de forma digna, mas de maneira surpreendente.