Tapas, beijos e mulheres à beira de um ataque de nervos

Pela abertura, título e música tema fica bem óbvio que 'Tapas & Beijos' é um seriado sobre relacionamentos, certo? Errado. 'Tapas & Beijos' é um seriado sobre mulheres descontroladas. Eu sei que isso não é nenhuma novidade, afinal, ele já está no ar da Globo desde 2011 mas, assistindo ao episódio desta terça (5/11), me peguei pensando nessas mulheres loucas e tão comuns.

Porque é isso mesmo: Fátima (Fernanda Torres) e Sueli (Andréa Beltrão) são descompensadas e quem disser que nunca se identificou com nenhuma das duas, em nenhum momento, estará mentindo.

As histórias são repetitivas. Você pode passar semanas sem acompanhar nenhum capítulo e, fora um personagem ou outro que apareça ou uma situação diferente que tenha continuidade, são os momentos cômicos dos núcleos peculiares e a sequência de encontros, desencontros, erros e acertos que fazem com que os capítulos sejam leves e divertidos, ótimos para passar o tempo após o dramalhão recheado de clichês e péssimas interpretações de 'Amor à Vida', atual novela das 21h da Globo (sorte a sua se não sabe do que se trata).

'Tapas & Beijos' é engraçada dentro da graça machista que nos acostumamos a consumir desde sempre. As protagonistas, grandes amigas que trabalham juntas em uma loja que vende vestidos de noivas - muito apropriado - parece que saíram de uma comédia de Pedro Almodóvar (sim, estou pensando em 'Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos'). São descontroladas e desesperadas para manter seus relacionamentos ou para se livrarem deles.

Nesse episódio específico, Fátima frequentava um grupo de auto-ajuda para tentar acabar com a obsessão por Armane (Vladimir Brichta), mesmo que ela esteja namorando outro (PC, interpretado por Daniel Boaventura). Já Sueli ficou 'refém' da stripper Lucilene (Natália Lage) que vive rondando Jorge (Fábio Assunção) e, por um acaso, salvou sua vida. A partir daí tudo se mistura e as loucuras acontecem.

Mas toda ação sempre é regida pela necessidade de preservar o relacionamento dos 'perigos' externos (uma stripper assanhada ou uma ex-mulher presente). E mesmo quando o relacionamento é conturbado - o parceiro é um cafajeste do tipo clássico e a mulher sabe que ele não presta mas não consegue ficar longe - existe esse desespero do 'devo ou não devo'. É disso que o seriado de Cláudio Paiva é feito e provavelmente por isso faz tanto sucesso que já tem confirmada a próxima temporada para 2014.

Parando para pensar, é interessante perceber que todas as figuras masculinas da série são meio caricatas, meio bobocas. Isso dá uma força maior para as mulheres, mesmo que elas não saibam direito o que estão fazendo.

Sim, em 'Tapas & Beijos' também existem vários clichês. Vários sobre a postura feminina muitas vezes incompreensível para os homens. Tão incompreensível que é ignorada quando não vista como piada ou sintoma de TPM.

Sueli e Fátima não são bem sucedidas e bem resolvidas como Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda tentavam ser em 'Sex And The City' ou super agentes da CIA como Carrie Mathison de 'Homeland', por exemplo. Mas, no fim das contas, muitas dessas mulheres da ficção sempre buscam a mesma coisa: a segurança de um relacionamento apaixonado, confiável e estável. Seria um reflexo da vida real? Ou apenas uma visão tradicional e atrasada sobre os principais desejos femininos?

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