‘Psi’ mostra um psiquiatra com pitadas de herói

Contardo Calligaris é um psicanalista italiano radicado no Brasil e colunista de um grande jornal. Além desses títulos e de milhões de outras coisas interessantes que já fez na vida, ele também é roteirista da nova produção nacional da HBO, 'Psi'.

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Baseada no personagem Carlo Antonini, psiquiatra presente em dois livros de Calligaris ('O Conto do Amor' e 'A Mulher de Vermelho e Branco'), a série acompanha as aventuras do profissional que é quase um super-herói intelectual. Antonini, interpretado por Emilio de Mello, que ganhou meu coração quando foi o jornalista Guerra da belíssima novela 'Lado a Lado', leva seus conhecimentos sobre as ações e reações humanas para o lado de fora de seu consultório.

Sendo assim, ele observa muito e se envolve em várias confusões para tentar solucionar os problemas dos outros - como diagnosticar que o autismo da filha de sua nova namorada na verdade é surdez, lidar com um bêbado armado que invade seu apartamento ou perceber que a garota por quem seu enteado está apaixonada se corta compulsivamente e tentar interferir para que algo mais grave não aconteça.

Pela temática, muitos podem comparar com 'Sessão de Terapia', mas já aviso que são dois seriados completamente diferentes. O exibido pelo GNT e dirigido por Selton Mello tem uma dinâmica muito bem definida: a cada episódio uma sessão com um paciente específico e o foco principal da história fica concentrado naquele ambiente de diálogo entre médico e paciente. Já em 'Psi' é possível encontrar muita ação externa, muitos personagens e muitas histórias que têm a ver, ou não, com o que acontece no consultório deste homem 'loucamente comum'.

Uma das grandes sacadas de 'Psi' é apostar na relação de amizade cheia de tensão sexual entre Antonini e sua grande amiga, colega de profissão e confidente Valentina (vivida por uma bela Claudia Ohana). Os dois desenvolvem bons diálogos, alguns mais sérios e cheios de referências médicas, psiquiátricas e culturais, e outros mais leves e divertidos.

Nenhum dos episódios saiu dos livros de Calligaris, apenas o personagem. Todas as histórias são inéditas, que misturam pitadas de experiências que o 'psi' da vida real teve ao longo dos anos - obviamente sem usar nenhum caso ou paciente como exemplo literal. Sobre isso, o próprio psicanalista afirmou que 'a ficção se cria com momentos de sua vida misturadas como cartas de baralho'.

E é esse jogo que o telespectador deve acompanhar para entender um pouco dos personagens e até mesmo de si, já que um dos grandes méritos dos episódios de 'Psi' é retratar as dores do outro e as formas de se lidar com essas dores sem preconceitos e julgamentos: 'É uma visão mais generosa das diferenças ao nosso redor', diz Calligaris. É uma bela reflexão para quem vive em um mundo que anda tão indiscriminadamente intolerante.

'Psi', que tem direção de Marcus Baldini, estreia no dia 23 de março às 21h na HBO com um episódio especial de duas horas. Seus 13 episódios serão exibidos todos os domingos, nesse mesmo horário.