O politicamente incorreto de Miguel Falabella

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'Pé na Cova' é um show de horrores.

O seriado tem o texto, o jeito e a cara de Miguel Falabella que, pelo visto, aproveita o espaço para fazer o que quiser. A impressão que tive ao assistir o episódio da última terça-feira chamado de 'À Deriva' foi que ele reuniu uns amigos, umas figuras que ele admirava ou achava interessantes por algum motivo específico, juntou tudo numa panela, mexeu e fez a série.

Só para situar quem nunca assistiu ou ouviu falar do seriado, 'Pé na Cova' mostra as confusões de uma família dona de uma funerária no subúrbio carioca, a F.U.I. (Funerária Unidos do Irajá). Nada, mas nada a ver com a grande série 'A Sete Palmos', que fique bem claro. Ela está na segunda temporada mas já teve seu contrato renovado para uma terceira em 2014.

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Voltando ao episódio da terça-feira. Tudo foi muito estranho. Primeiro, falou-se de uma greve dos coveiros e da chegada de substitutos cubanos. E um médico do país de Fidel apareceu na história, 'hablando español' sem ser compreendido. Sim, Falabella usa temas sociais e políticos para fazer ironia. Até aí, tudo bem. Mas depois, o tempo gasto com diálogos nonsenses e aparições mais nonsenses ainda, dignas de David Lynch (como uma senhora banguela que gritava palavras soltas e fazia apenas isso), tiravam o sentido de qualquer coisa.

Além do cubano, o outro foco do capítulo era o casamento da personagem de Marília Pêra com outra mulher. A quem eles, todos em cena, sempre chamavam de 'sapatão'. A partir daí, alguns personagens ofendiam os gays enquanto outros batiam em mulher mostrando o uso do 'politicamente incorreto' ao quadrado. E no meio disso tudo, até Martin Luther King foi citado de forma incompreensível.

Não entendeu nada? Pois é. Eu também não. Infelizmente porque Falabella poderia aproveitar de uma forma muito bacana sua capacidade de fazer ironia com temas sérios - até porque ele tem moral e espaço para isso na emissora - mas se perde no pastelão que, após alguns anos insistindo sempre na mesma fórmula, perde a graça. É verdade, nunca tive muita paciência para 'Toma Lá Dá Cá' muito menos para o retorno de 'Sai de Baixo'. Tudo é sempre muito igual, apesar de 'histórias diferentes'. Acho um desperdício de inteligência e talento.

Mas o mais interessante de tudo foi perceber que, em uma mesma noite, os médicos cubanos foram citados em dois programas de ficção da Globo: na novela 'Amor à Vida' e em 'Pé na Cova'. Nos dois, em forma de piada. Será coincidência?

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