‘House of Cards’ volta com mais crueldade e sujeira política

A política, apesar de necessária para uma ordem social, provoca mais descontentamentos do que sentimentos de admiração. Afinal, impostos são pagos para financiar uma infra-estrutura provedora de segurança, cuidado e conforto para os cidadãos. Quando isso acontece, a obrigação foi cumprida. Quando não, a corrupção e incompetência viram assunto em qualquer mesa de bar.

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E a política nada mais é do que um jogo de interesses sendo atendidos ou reprimidos de acordo com a maré que dá as cartas. Políticos declaradamente inimigos posam para fotos trocando afáveis apertos de mãos; deputados sem competência assumem cargos em comissões das quais não possuem a menor tolerância ou sensibilidade para lidar, e absurdos são escancarados pela certeza de que o poder conquistado dificilmente lhes será tirado.

Pois Frank Underwood é a personificação perfeita do que de pior pode acontecer no jogo político - mesmo que seja em uma obra de ficção. 'House of Cards' traz em seu título uma bela referência às casas de cartas que construímos com cuidado e facilmente podem ser destruídas por uma corrente de ar. A série, que entrou para a história sendo o primeiro produto desse tipo feito para a internet a ganhar prêmios no conceituado Emmy - o Oscar da TV nos Estados Unidos - voltou com uma segunda temporada surpreendente.

O Netflix disponibilizou no dia 14 de fevereiro todos os 12 episódios (sim, você não precisa esperar um semana inteira para saber o que acontecerá no capítulo seguinte), que continuam acompanhando a vida, carreira e ambições do personagem, interpretado magistralmente por Kevin Spacey.

Nesse início, após armações de todos os tipos, Frank está muito perto de atingir o seu objetivo: ocupar o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos. Até aí nada de novo em sua vida cotidiana junto com Claire (Robin Wright), a esposa perfeita, inclusive no quesito cruel de destruir seus desafetos.

Após essa ambientação política com novos jogadores na Casa Branca e repórteres ávidos por desmascarar nosso 'malvado favorito' (porque apenas na ficção simpatizamos com os 'incorretos' - Dexter e House que o digam), eis que algo surpreendente, digno de tirar o fôlego e deixar o telespectador completamente atordoado, acontece - dessa vez serei legal e não entregarei um spoiler dessa dimensão por aqui. Só adianto que é uma tragédia que confirma a psicopatia e falta de limites cada vez mais evidentes em Frank Underwoord, declarada em uma belíssima conversa com quem o assiste até a cena final.

As duas temporadas de 'House of Cards' estão disponíveis no Netflix.