Garotas de programa de luxo na TV

Neste domingo estreia na HBO a série 'O Negócio', produção nacional do canal a cabo que abordará as estratégias de marketing usadas por prostitutas que querem se livrar dos cafetões e conquistar uma independência profissional. Afinal, fora a parte dos cafetões, não é isso o que todo trabalhador almeja? Subir na carreira, ganhar mais e não se submeter à exploração de chefes babacas? Sonho de consumo da sociedade moderna.

Pois Karin (interpretada de forma muito competente por Rafaela Mandelli e que até me fez esquecer da Nanda de 'Malhação') resolve tomar as rédeas de sua profissão e dissecar estratégias para garantir uma clientela fixa e luxuosa que andava cada vez mais escassa. Ela era considerada uma das melhores do ramo pois sabia exatamente o que dizer, fazer e esconder para agradar aos clientes mas, por conta da idade, andou um pouco desvalorizada no mercado.

Optando por uma outra forma de trabalho ela descartaria a necessidade de intermediários como o excêntrico Ariel (Guilherme Weber), seu "booker" (sim, o nome sofisticado de cafetão) que, a cada falcatrua cometida era tão consumido pela culpa que se jogava de cabeça em diferentes religiões - essa explicação foi um dos grandes momentos cômicos do primeiro episódio.

A história é narrada por Luna (Juliana Schalch), amiga de Karin, colega de trabalho e estudante universitária que tem como grande objetivo na vida casar com um milionário. Para isso, ela garante participação em um curso exclusivíssimo que ensina herdeiros como administrar suas fortunas. Nem vou dizer aqui como ela conseguiu garantir a inscrição...

Nesse primeiro momento somos apresentados apenas à essas duas personagens. Mas a partir do segundo episódio o trio estará completo com a chegada de Magali (Michelle Batista) na história. Ela será a mais nova, impulsiva e inexperiente do trio. O que posso dizer até agora é que achei a ideia muito interessante e o piloto muito bem feito.

A trama é ambientada em São Paulo (apropriada pela 'aura' de empresários, mercados de luxo, dinheiro em excesso) e eventualmente imagens pouco convencionais de espaços da cidade se intercalam com cenas sobre a vida e as questões das protagonistas.

SEM ESTEREÓTIPOS E PRECONCEITOS

Nenhuma delas parece ser garota de programa por necessidade ou por que foram forçadas por alguém. Luna, inclusive, tem uma família bem estruturada no interior e eventualmente aparece para almoçar no final de semana com um namorado inventado (que na verdade é um amigo que representa o papel) relatando para os pais a normalidade da vida universitária e de seu estágio na área administrativa. Juliana afirmou ter usado a personagem de Natalie Portman no filme 'Closer' como inspiração pela "brincadeira de identidade, de camuflagem", como definiu.

Sobre o tema que pode ser visto como difícil ou cheio de tabus, Rafaela explicou que a história "é despida de julgamentos e o foco principal é na junção entre o marketing e a profissão". Pelo menos no episódio piloto não pareceu mesmo existir um peso de preconceitos e esse foi um ponto que me ganhou.

Luca Paiva, que juntamente com Rodrigo Castilho criou 'O Negócio', resume o seriado da seguinte maneira: "elas são jovens que querem fazer uma revolução no setor da economia onde trabalham". O fato de ser na "profissão mais antiga do mundo" só aumenta o diferencial da história.

Inclusive, para evitarem uma saída fácil de lugar comum, as atrizes não fizeram o tão falado 'laboratório' (quando os atores grudam em pessoas reais para tentarem absorver de tudo um pouco para os seus personagens ficcionais). Elas preferiram evitar esse contato para não caírem no estereótipo de "mulheres da vida". Para as atrizes, elas são mulheres que você facilmente vê pelas ruas, bonitas, bem educadas, charmosas e que não fazemos ideia de que forma ganham dinheiro. Afinal, "a gente não sabe o que cada um faz entre quatro paredes", diz Juliana. Esse foi o caminho escolhido e elas me pareceram bem convincentes como garotas de programa de luxo.

O FORMATO SERIADO

Sobre explorar esse outro tipo de formato audiovisual, diferente da rotina de gravações da televisão ou cinema, as atrizes pareceram mais animadas do que preocupadas. "Fazer seriado é sempre um risco maior. Você precisa ter mais cuidado com o personagem porque não tem como recomeçar. Na TV você pode ir desenhando a forma de ser conforme a ação vai acontecendo e a reação do público. Acaba sendo um meio termo entre a novela e o cinema", afirmou Rafaela.

O Negócio estreia dia 18/08 na HBO às 21 horas. Logo após a exibição na TV, o primeiro episódio poderá ser assistido pela internet no www.hbomax.tv.

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