‘Elementary’ desperdiça um grande personagem

Sim, é clichê dizer que Sherlock Holmes é o detetive mais conhecido do mundo. E é o mais conhecido porque Sir Arthur Conan Doyle criou um dos personagem mais interessantes da literatura mundial. E seguindo além da nossa imaginação descritiva, muitos já tentaram dar um rosto, trejeitos e figurino para o brilhante inglês residente do 221B da Baker Street. Por exemplo, no cinema ele já apareceu jovem (em 'O Enigma da Pirâmide' de 1985) e sarado (em 'Sherlock Holmes' de 2009 com Robert Downey Jr.) - só para citar os filmes mais conhecidos.

Pois nos últimos anos, a TV resgatou esse personagem de diferentes formas. Ele foi uma explícita inspiração para um médico viciado em remédios (quem 'conhece' o Sherlock da literatura sabe que ele tinha uma quedinha por entorpecentes) e único na arte de desvendar os casos mais peculiares da medicina conhecido como Gregory House (em House M.D. exibido em suas oito temporadas pelo Universal no Brasil). Sem falar no seu fiel escudeiro/melhor amigo Wilson. Não podemos esquecer na importância de Watson na vida de Holmes.

Já a BBC lançou em 2010 a série que se tornou uma das minhas favoritas de todo o mundo: 'Sherlock', que ambientou Holmes (Benedict Cumberbatch) e o Dr. John Watson (Martin Freeman) na Londres atual, com apenas 3 episódios de noventa minutos por temporada. É incrível. São longas-metragens em formato de seriado primorosos que consagraram Benedict como um dos grandes atores da atualidade. Mas reservarei um post especial para essa série assim que a estreia de sua terceira temporada estiver próxima, no início de 2014.

Pois 'Elementary' chegou para mudar os paradigmas 'Doylianos' (existe essa definição para o que foi criado por Conan Doyle?). Fico me perguntando: se o autor estivesse vivo, qual seria a sua reação ao se deparar com uma 'Joan' Watson na pele oriental de Lucy Liu? Exatamente: Watson, na série da CBS (exibida pelo Universal no Brasil), é uma mulher. Pelo menos continua médica. Quer dizer, ex-médica. Já Sherlock, tatuado e ex-viciado em recuperação é Jonny Lee Miller em uma grande interpretação do detetive especialista em deduções incríveis. Apesar de ter nascido na Inglaterra, ele se mudou para Nova Iorque, trabalha como consultor da polícia e é lá onde a maior parte da ação acontece.

No geral a série é fraca. Nada genial nem instigante. É ótima para distrair e passar o tempo com seus casos bizarros, já que é possível acompanhar as histórias sem grandes perdas e com foco apenas no 'caso do dia', caso você esqueça de assistir em sequência. Lucy Liu não acrescenta muito além da sua eterna tentativa de criar laços e entender o que se passa na cabeça do nosso 'herói'. Ela parece não ter muita expressão facial; é sempre a mesma cara quando está triste, feliz ou assustada.

Mas para não ser injusta preciso admitir que o final da primeira temporada foi muito bom. E aqui começam os SPOILERS!!!!!

Além de usarem uma mulher para ser o braço-direito do detetive, seu clássico arqui-inimigo, Moriarty, também se revela como uma mulher (a atriz Natalie Dormer, que também é Margaery Tyrellde 'Game of Thrones'). Isso foi bacana, principalmente porque ela era também Irene Adler - a única pessoa no mundo que conseguiu, de alguma forma, enganá-lo.

Moriarty teve um caso com Sherlock. Ele se apaixonou por ela. Ela fingiu a própria morte e reapareceu em um plano super elaborado para se reaproximar já que, para a rainha do crime e dona de uma mente quase tão incrível quanto a de Holmes, ele sempre foi muito atraente e também difícil para os seus negócios.

E apesar do meu estranhamento inicial, achei muito boa essa 'releitura' da história. Por isso esperava mais da segunda temporada que começou fraca e até o momento se mantém assim. Praticamente nenhuma menção a 'Irene/Moriaty' foi feita. Nenhum mistério grandioso que pode render até o último episódio deu pista até o momento. Tudo bem que também não tivemos nada relacionado à Moriarty até, pelo menos, a metade da primeira temporada. E como a esperança é a última que morre, vai que as coisas melhoram?

Ironicamente a situação mais interessante que aconteceu foi em um episódio no qual os personagens principais vão até Londres e encontram Mycroft (Rhys Ifans), irmão de Sherlock que rende bons diálogos de uma dinâmica familiar tensa e distante - e com uma divertida resolução. Mas também nada marcante que dê vontade de acompanhar fielmente a cada semana. Se estiver passando na TV ótimo. Se não, é só continuar zapeando em busca de outra distração.

'Elementary' é exibida pelo Universal Channel, todas as quintas-feiras às 22 horas.

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