Jovialidade, senso de humor e ironia de José Wilker impressionavam

Entrevistar José Wilker, que morreu neste sábado, aos 66 anos no Rio de Janeiro, não era algo fácil. Com senso de humor muito agudo e irônico, nos laçamentos de novela e de filmes, Wilker sempre provocava muitos risos. Era um ser político e muito crítico que intimidava por sua inteligência, mas deixava tudo muito mais leve e fácil de compreender com bom humor. Parecia dizer: "não me levem a sério".

Seguro de si, o ator, que também era escritor, diretor e crítico de cinema, sempre chegava aos eventos com tênis (All Star) e armação de óculos coloridos e calça jeans (quase sempre). Depois do sucesso de Giovani Improtta na novela "Senhora do Destino" (de Aguinaldo Silva), personagem que deu origem ao filme recentemente, costumava dizer que o bicheiro era cara do Brasil e sempre comentava algo que chamaria a atenção de Giovani. Vale lembrar que o ator roubou a cena na novela e acabou com a protagonista, Maria do Carmo (Susana Vieira).

Wilker dizia que sempre se divertia em cena. No remake de "Gabriela" (assinado por Walcyr Carrasco), por exemplo, era difícil achar quem não chorava de rir muito quando ele fazia o coronel Jesuíno, que tinha bordões como, "deite que vou lhe usar" ou "com licença que eu vou cagar!". Quando falava do coronel, ele dizia: "Ele tem uma acúmulo de deselegância!". Hilário.

No currículo, o ator tem cerca de 40 novelas. Um dos autores que Wilker mais trabalhou foi Aguinaldo Silva, que assina trabalhos como "Bandidos da Falange", "Roque Santeiro", no qual fez o papel título, "Fera Ferida", "Suave Veneno", "Senhora do Destino", "Duas Caras" e "Cinquentinha". Ele brilhou em muitos outros trabalhos televisivos, como na minissérie "JK" (de Maria Adelaide Amaral), na qual fazia o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Seu último trabalho na TV foi em "Amor à Vida" (de Walcyr Carrasco), onde viveu o médico Herbert. Sem dúvida, ele vai deixar muitas lembranças. Sua voz, seu jeito de ser e de atuar farão realmente muita falta.

Em tempo, muito emocionado, Aguinaldo Silva disse que não quer falar sobre a morte de Wilker. "Desliguei os telefones todos. Não quero que me perguntem o que achei da morte dele. Estou triste. Morri um pouco. Não sei o que dizer! Fizemos dezenas de trabalhos juntos. Era jovem demais pra morrer! Sem José Wilker ficamos menores e mais pobres. José Wilker era nossa alternativa para o personagem que Dan Stulbach talvez não possa fazer. Eu o conhecia desde 1961, vivíamos no Recife".

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