‘Tá no Ar’ tem humor elitista?

“Lord of The Ends’, clipe do humorístico sobre spoilers (Reprodução)

Ontem o segundo episódio de ‘Tá No Ar: A TV na TV’ liderou os trending topics do Twitter. Nos posts por ali o comentário geral era que o humorístico estava indo muito bem. Teve também quem dissesse – como elogio ou crítica – que o humor do programa era “para poucos”. Seria sofisticado por cometer piadas mais elaboradas e fazer referências às redes sociais e séries (a paródia musical ‘Lord of The Ends’, sobre spoilers, foi uma pequena obra-prima, diga-se). Mas daí vem a pergunta: o que é, afinal, humor sofisticado?

Vejamos: Pela audiência consolidada, ‘Tá no Ar’ teve 14.3 pontos de audiência – o equivalente à soma do segundo e terceiro colocados (respectivamente, ‘Cine Espetacular’, no SBT, com 7.5, e ‘Troca de Família’, na Record, com 7.1). Logo, cai por terra a tese de que o programa é feito para uma elite.

Em segundo lugar: e por que não? Porque as pessoas, digamos, um pouco mais exigentes em termos de humor não podem assistir à TV aberta como todo mundo? Há uma grande carga de preconceito quando se associa a TV aberta à classe C e esta à baixa qualidade da programação. Classe C define condição econômica, não o gosto das pessoas. Assim como tem gente da classe A/B que gosta de sertanejo ou jazz, na classe C há quem goste do ‘Pânico’ ou do ‘Tá no Ar’. ‘Pânico’, por sinal, tem uma média de 4 pontos na audiência.

Associar a TV aberta ao humor fácil e rasteiro também é uma bobagem. O Multishow está na TV paga e investiu na comédia supostamente popular de Tom Cavalcanti e Ceará com resultados pífios. Ao mesmo tempo, outro programa pop, o ‘Vai Que Cola’, tem bons resultados.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que humor não tem classe social. Ou é bom ou ruim. Ou te faz rir ou não. O resto é papinho de quem não tem como justificar seu gosto ou se acomoda com piadas fáceis. É como acreditar que o ‘Porta dos Fundos’, por exemplo, faz sucesso apenas entre a classe média alta.

Veja também:

Xuxa falta em evento da Record e cria mal-estar nos bastidores

Roberto Carlos pretende lançar disco de inéditas este ano e já tem quatro músicas prontas

O ‘Tá no Ar’ voltou afiadíssimo em sua nova temporada. Ontem, por exemplo, bateu em religiões variadas, cutucou esquerda e direita e incomodou geral. Esta, inclusive, é uma das funções do humor: incomodar. A outra (e principal) é fazer rir. E nesse quesito o programa de Marcius Melhem e Marcelo Adnet tem sido bem-sucedido.

No Twitter: @telaplena

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos