Suspeito de golpe, dono de empresa some e prejudica ao menos 21 intercambistas

Clientes da 4U Intercâmbio ouvidos pela reportagem tinham a Irlanda como destino. Foto: Pixabay

Ao menos 21 pessoas denunciaram um dono de uma empresa de intercâmbio para a Polícia Civil depois de o empresário fechar a empresa sem avisar funcionários e clientes e sumir. Segundo clientes da empresa, eles já tinham feito pagamentos de altos valores para que pudessem fazer suas viagens, mas não foram reembolsados desde que o homem desapareceu.

A advogada Helena Mendonça, 28 anos, é uma das pessoas que está esperando um retorno sobre a situação de sua viagem. Ela ficou na Irlanda por oito meses e voltou para o Brasil para passar as festas de fim de ano com a família. Com a intenção de continuar seu curso, a advogada procurou a empresa 4U Intercâmbio para fazer a renovação.

“Para eu renovar, eu precisaria fechar com uma nova escola e aí eu procurei uma agência renomada. Eu paguei o curso, assim como outros alunos. E, no dia 24 de dezembro, todos os funcionários receberam um alerta de que o sistema de acesso deles tinha sido desligado. Os portais também estavam fora do ar e, ao tentar entrar em contato com o dono, ele já não atendia mais”, afirmou a cliente.

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Dizendo estar muito triste, a advogada quer dar repercussão para o caso para que Djalma Remondini Filho, dono da empresa, seja localizado e para que outras pessoas não passem pela mesma situação. “A notícia que eu tenho é que ele tinha encerrado as operações da empresa sem falar nada, sem repassar os valores… ele aplicou um golpe milionário nos alunos e desapareceu”, constata.

Assim como outras pessoas, Helena foi até o 78º DP (Distrito Policial) e comunicou a Polícia Civil sobre a situação que está passando. Questionada pela reportagem, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo afirmou que o 1º DP de São José dos Campos investiga o caso e que “equipes policiais realizam a oitiva das vítimas e diligências visando o esclarecimento dos fatos”.

De acordo com Helena, nem os próprios funcionários sabiam o que estava acontecendo quando o dono da empresa simplesmente sumiu. A advogada chegou a receber um comunicado que não era oficial da consultora que vendeu o pacote de viagem para ela. O texto dizia que que ela não sabia o que estava acontecendo com a empresa e que todos os setores tinham sido paralisados.

“Essa semana, no entanto, alunos já não receberam documentos para embarque e a gente não tem nenhuma posição a respeito”, dizia o comunicado. “Hoje estou me vendo numa posição em que eu não consigo fazer nada, a não ser alertar vocês dessa situação constrangedora e preocupante que todos nós nos encontramos”, continuava o texto.

A advogada Helena Mendonça queria continuar seu intercâmbio no país. Foto: Arquivo Pessoal

Ainda sem respostas sobre o que aconteceu, a advogada orienta para que pessoas que passaram por uma situação semelhante tomem algumas atitudes para tentar reaver os valores que pagaram. Na esfera criminal, é preciso que a pessoa vá até uma delegacia mais próxima para lavrar um boletim de ocorrência. 

Para fazer isso, basta levar seus documentos de identificação, cópia do contrato com a agência e das transferências bancárias. Na esfera cível, as vítimas podem propor uma Ação de Rescisão Contratual, com pedido de restituição de valores e de indenização pelos danos morais e materiais sofridos. As vítimas que já estão na Irlanda podem pedir auxílio a alguns órgãos de proteção ao intercambista.

Por enquanto, Helena ainda está sem o reembolso dos R$ 8.500 que pagou para que pudesse continuar seu intercâmbio. O farmacêutico Flamarion Rodrigues, 42 anos, é outro cliente que pagou cerca de R$ 8 mil para a empresa e que ainda está sem respostas sobre o paradeiro do dono e sobre seu destino no país.

Morando e trabalhando na Irlanda desde setembro de 2018, o farmacêutico também foi renovar sua estadia por meio da empresa. Como ele podia parcelar o valor, o cliente deu uma entrada de R$ 2 mil e, no dia 20 de dezembro, pagou mais R$ 6 mil. “Nunca imaginaria que seria um golpe”, constatou.

O farmacêutico Flamarion Rodrigues ainda não conseguiu seu dinheiro de volta. Foto: Arquivo Pessoal

Agora, Rodrigues tenta recuperar o valor pago quatro dias antes do dono da empresa desaparecer. De acordo com a vítima, ele pediu um estorno de seu banco para ter ao menos os R$ 6 mil de volta. Porém, o pedido foi para análise e ele ainda não tem um retorno sobre o caso.

A reportagem tentou localizar Djalma Remondini Filho por meio de um e-mail da empresa e questionou onde ele estava e se o dinheiro dos clientes seria devolvido. No entanto, o e-mail enviado voltou com uma mensagem dizendo que o endereço não foi encontrado.

Na tentativa de localizar o empresário, e-mail enviado pela reportagem voltou. Foto: Reprodução

Ainda na tentativa de encontrar o dono da empresa, a reportagem entrou em contato com a ex-esposa dele, Carolina Cruz, na esperança de que ela pudesse passar um telefone do ex-companheiro. Em resposta, Carolina afirmou que saiu da empresa dele antes de tudo acontecer e que se separou dele em agosto.

“Assim como todos, eu não faço ideia de onde ele esteja e ajudei com todas as informações que sabia. Mas não tem como eu imaginar quando ele vai reembolsar alguém e como, uma vez que não tenho contato com ele ou com a família dele”, explicou.