Surto de coronavírus: tudo que você precisa saber

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Foto: Sergei Mikhailichenko/SOPA Images/LightRocket
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O surto do mortal Coronavírus que acontece na China está sendo amplamente divulgado pela mídia em todo o mundo, despertando o medo de uma epidemia global.

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Desde que o primeiro paciente foi infectado na cidade de Wuhan – capital da província de Hubei – no final do ano passado, o vírus se espalhou para grandes cidades, como Pequim e Xangai

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Ele já cruzou as fronteiras da China, e há casos confirmados nos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Taiwan.

Até o momento há 18 mortes confirmadas, todas em Wuhan, mas as autoridades chinesas informam que mais de 630 pessoas estão lutando contra o vírus.

No entanto, um especialista alega que os números estão aumentando “a todo minuto” - com até 9.700 casos apenas na cidade de Wuhan.

Quão mortal é o novo coronavírus?

A cepa 2019-nCoV era praticamente desconhecida até um mês atrás, por isso as estimativas são baseadas em dados limitados.As estatísticas indicam um índice de mortalidade de 2%, o que significa que para cada 50 pessoas contaminadas, uma morre, conforme informado pelo Yahoo UK.

Entre os casos que precisam de hospitalização, entre 15% e 20% são considerados “graves”, caracterizados pela necessidade de ventilação.

As mortes estão ocorrendo como resultado da pneumonia, que surge quando uma infecção respiratória faz com que os alvéolos pulmonares fiquem inflamados e cheios de fluidos ou pus, de acordo com a Associação Americana do Pulmão. Os pulmões não conseguem inspirar o ar, resultando na redução do oxigênio na corrente sanguínea. “Sem tratamento, o fim é inevitável,” disse a organização internacional Médicos Sem Fronteiras.

“A morte ocorre por asfixia”.Análises genéticas revelam que o 2019-nCoV é mais parecido com a síndrome respiratória aguda grave (SARS) do que qualquer outra cepa. A SARS virou notícia no começo dos anos 2000 após matar 774 pessoas em dezenas de países.

O Professor Neil Ferguson, do Imperial College London, afirma que a SARS era “quase universalmente grave”.Os casos da 2019-nCoV estão sendo descritos como “leves”, em sua maioria. Oficiais chineses não falaram abertamente sobre a epidemia de SARS.

“As autoridades estão sendo muito mais abertas em relação a este surto, investigando a infecção de forma muito mais rápida e minuciosa, e compartilhando estas informações com a comunidade internacional,” disse o Professor Paul Hunter, da University of East Anglia.

“As autoridades também implantaram fortes medidas de controle nas cidades afetadas. Como resultado dessa maior abertura e melhor gestão, os países vizinhos poderão se preparar com antecedência para enfrentar os casos que talvez cheguem às suas fronteiras”.

De onde veio o novo coronavírus?

Os diferentes tipos de coronavírus são uma espécie de patógeno que causa diversas condições, desde o resfriado comum até epidemias potencialmente fatais, como a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS).

Seis variedades de coronavírus já eram conhecidas por infectar seres humanos, e o 2019-nCoV é o “sétimo”.

As novas cepas de coronavírus provavelmente surgiram em um mercado de frutos do mar em Wuhan.O mercado também vende uma grande variedade de carnes processadas e vivas, incluindo burros, aves, camelos, raposas, texugos, porcos-espinhos e ratos.

Muitos dos primeiros a se sentir mal trabalhavam no mercado ou o visitavam.Vírus como o 2019-nCoV “mudam o tempo todo”, o que permite que eles “saltem” entre espécies.

Cientistas da Universidade de Pequim acreditam que o 2019-nCoV provavelmente começou em morcegos. Eles foram, então, comidos por cobras, que funcionaram como um “hospedeiro intermediário” antes que o vírus fosse transmitido aos humanos.

O Professor Hunter destaca, no entanto, que a origem “não é completamente conhecida e talvez nunca se consiga provar”.

Quais sintomas o novo coronavírus causa?

Assim como outras cepas de coronavírus, o 2019-nCoV tipicamente começa causando sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, tosse, falta de ar e dificuldades respiratórias.

Os sintomas podem surgir entre dois dias e duas semanas após a exposição, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Nos casos mais graves, os pacientes desenvolvem uma pneumonia.

Quem é mais suscetível a ser afetado pelo novo coronavírus?

A nova cepa tem o potencial de infectar qualquer um. “Os vírus novos se espalham com muito mais rapidez, porque não temos imunidade contra eles,” explicou o Professor Ferguson.

A Comissão Nacional de Saúde da China anunciou que, até o momento, a vítima mais jovem tinha 48 anos, e a mais velha 89. E acrescentou que a maioria das vítimas era idosa e sofria de outras condições de saúde, como Parkinson ou diabetes.

Outras cepas do coronavírus tendem a desencadear complicações sérias – como pneumonia ou bronquite – nos idosos, nos jovens, e naqueles com condições médicas pré-existentes.

Como o novo coronavírus se espalha?

A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou que o vírus pode ser transmitido entre seres humanos. Ele geralmente se transmite pela tosse, espirros, apertos de mão, ou ao tocar um objeto contaminado. O vírus entra no corpo quando as mãos contaminadas tocam os olhos, o nariz ou a boca.

Em casos caros, pode ocorrer contaminação por meio das fezes. A exposição ao animal misterioso por trás do surto também pode levar à infecção.

O CDC destaca que alguns vírus são altamente contagiosos, e outros nem tanto. Ainda não se sabe ao certo qual é a característica do 2019-nCoV.

Como o novo coronavírus é tratado?

Não há um tratamento específico para o coronavírus, segundo o CDC. Se a infecção provocar uma pneumonia, os médicos trabalham para combater a complicação.

Quando a pneumonia é provocada por um vírus – como o 2019-nCoV – ela pode ser tratada com “medicamentos antivirais”, de acordo com a Associação Americana do Pulmão.

O Professor Peter Horby – da Universidade de Oxford – disse, no entanto, que provavelmente “não há um antiviral eficaz,” e que o atendimento é focado no “suporte”.

Autoridades de saúde dos Estados Unidos estão trabalhando em uma vacina contra o 2019-nCoV; porém serão necessários meses até que os primeiros testes sejam realizados, e mais de um ano antes que ela esteja disponível para o público, relata a CNN.

No momento, a Organização Mundial da Saúde aconselha que as pessoas comam apenas alimentos bem cozidos, “evitem cuspir em público” e fiquem longe de animais doentes.

O CDC recomenda lavar as mãos com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, ou usar um antisséptico à base de álcool.

Caso se sintam mal, as pessoas devem ficar em casa, desinfetar os objetos com os quais têm contato e tossir e espirrar em um lenço, que deve ser logo descartado.

Alexandra Thompson