‘SuperStar’ e a vitória que quase foi derrota

Fulô de Mandacaru, a banda vencedora da terceira edição (Divulgação)

Não deixa de ser irônico a vitória da banda Fulô de Mandacaru na terceira temporada do ‘SuperStar’. Lembremos que o grupo foi o primeiro a se apresentar no programa na edição e foi eliminado de forma grotesca por Daniela Mercury, que, na ânsia de votar “Sim”, acabou tascando uma negativa e tirando pontos dos forrozeiros de Caruaru. Também há uma ponta de ironia o fato de um grupo de forró vencer a competição que, tudo indicava, teria o triunfo de um grupo de pop/rock.

Pelo andar da carruagem parecia certo que Plutão Já Foi Planeta iria papar o prêmio: Tinha fã-clube forte, era uma das queridinhas dos jurados e, acima de tudo, mostrava bastante consistência, tanto ao apresentar releituras quanto nas composições próprias. Mas, sabe como é: votação aberta é quase sempre uma incógnita.

A terceira edição do ‘SuperStar’ teve alguns méritos: apesar de continuar sendo um espaço majoritariamente frequentado por grupos de rock, desta vez mostrou-se um pouco mais heterogêneo em sua disputa. Também apresentou uma turma que está aí, compondo razoavelmente bem – o que já é um alento e uma esperança de que as rádios passem a tocar algo diferente do “mais do mesmo” de sempre (não creio que aconteça).

Teve também alguns momentos chatos e contestáveis. O chato era especialmente o excesso de entusiasmo de Daniela Mercury, que, a certa altura, não consegui ficar sentadinha em sua cadeira de jurada e agia como fã. O contestável era a mania dos jurados de salvar à força grupos que não sobreviveriam no voto do público – inclusive algumas não se safaram nem mesmo com o voto dos três jurados. E que fique bem claro: algumas das bandas que caíram pelo meio do caminho tinham nível para estar na final.

Uma sugestão seria dividir a disputa entre apresentações de músicas autorais e de covers (os jurados insistiam em chamar de releitura, mas algumas versões eram só covers mesmo). Ficou evidente que quem se arriscava nas autorais quase sempre era prejudicado diante de uma “releitura” de hit. Seria bacana incentivar a produção própria.

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Apesar de Fernanda Lima ter gritado que a conquista do Fulô de Mandacaru era “a vitória do forró”, sejamos realistas: é improvável que a mídia em geral abra espaço – pelo menos no momento aqui no Sudeste – para algo que não seja Anitta- Safadão-Sertanejo. Mas seria bom se as rádios e emissoras de TV tivessem um pouco de ecletismo.