Sul e Sudeste lideram ranking de incidência de câncer de mama com taxas acima de 70%

Erinete foi uma das atendidas pelo projeto Grendha Mais Rosa. (Foto: Arquivo pessoal)
Erinete foi uma das atendidas pelo projeto Grendha Mais Rosa. (Foto: Arquivo pessoal)

Erinete Figueiredo tomou um susto quando recebeu o resultado de seu exame de mamografia. Instruída a fazer uma ultrassonografia e visitar o ginecologista, a técnica em enfermagem sentiu o coração acelerar ao acreditar que estava com a doença.

Felizmente todos os procedimentos foram realizados com rapidez e o resultado foi o mais feliz possível. Agora, a mulher guarda com ela a importância de cuidar de sua saúde com mais frequência, especialmente quando o assunto é câncer.

O exame foi feito em uma parceria da marca de sandálias Grendha e a ONG Orientavida, que doaram 150 mamografias para mulheres em situação de vulnerabilidade nas comunidades ribeirinhas de Juruti, no Pará.

É o caso de Nete, como gosta de ser chamada. Nascida em Oriximiná, ela cresceu em outra cidade do estado e acabou mudando para Juruti, onde construiu toda sua vida. “Moro há 15 anos em Juruti, construí uma família aqui. Minha infância foi boa, mas tínhamos as nossas dificuldades, porque era uma família bem grande”, conta ao Yahoo.

Nete conta a história de muitas mulheres do Brasil. Ela e seus oito irmãos precisavam enfrentar a discriminação racial desde muito cedo. “Somos negros. Sofri muito preconceito. É uma coisa bem marcada na minha infância e adolescência, mas meus pais sempre deixaram claro que isso não podia afetar nossa vida”, reflete.

Nete mora em um estado cuja incidência do câncer de mama é a mais baixa em todo o Brasil, como revelam os dados de 2022 do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Até agora são 1.970 casos, com porcentagem de 21,34%.

Ainda segundo a pesquisa, no Brasil, “excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste. Para o ano de 2022 foram estimados 66.280 casos novos, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 43,74 casos por 100.000 mulheres”.

Confira o relatório anual de 2022. (Foto: Reprodução/Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Confira o relatório anual de 2022. (Foto: Reprodução/Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Marcelo Cavalcante, ginecologista e especialista em reprodução humana graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), nos ajuda a entender um pouco mais da doença. Segundo o especialista, essa discrepância nos dados do INCA pode ser explicada pelo acesso a diagnósticos, mais fáceis em algumas regiões. “No Norte e Nordeste há prevalência maior do câncer de colo uterino, o que pode fazer com que as pacientes não sobrevivam antes de ter câncer de mama. Estilo de vida e fatores genéticos também podem explicar”, complementa.

O médico explica que o rastreamento precoce da doença é feito pelo autoexame (por isso a importância do toque) e pela mamografia. Cirurgia, quimioterapia e radioterapia são as opções de tratamento. “Deve ser um acompanhamento multidisciplinar sempre. Pessoas com histórico da doença na família devem receber aconselhamento genético (investigar essa linha do tempo)”, conclui.