Sucesso de público, drag Rebeca ainda vê preconceito nos games

Quando começou como drag queen, Alexandre dos Santos tinha 13 anos. A Rebeca era inspirada nas amigas trans que conheceu em festas, mas jamais imaginaria que tornaria-se uma das principais streamers do país com mais de 210 mil seguidores em sua página no Facebook, anos depois.

"Eu trabalhava num salão antes, com cabelo e tal e não imaginava. Inclusive todo mundo me criticava: 'ah, vai procurar um emprego, você só quer saber de jogar'. Enfim, toda essa coisa que as pessoas não estão acostumadas a ver isso como um mercado de trabalho", conta.

Veja também

Pelo Facebook Gaming, a plataforma e streaming de Mark Zuckerberg, Rebeca atinge milhares de pessoas ao vivo — suas transmissões já atingiram mais de 16 mil pessoas simultaneamente.

O início como streamer

O início do sucesso nos games contou com a ajuda de outra streamer famosa, Samira Close. Ao aparecer nas lives da amiga, ela começou a chamar atenção, mas na tinha um computador ou dinheiro para seguir carreira solo.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

"Uma pessoa que acompanhava as lives dela foi e me deu um computador, basicamente, pra eu poder começar. E aí eu me agarrei na oportunidade e não era uma coisa que eu escolhi fazer", relembra Rebeca.

Preconceito no mundo gamer

O mercado de games esbarra em polêmicas contra o público feminino e LGBTQIA+ o tempo inteiro. Apesar de parecer que o cenário está melhorando, os passos ainda são lentos. As streamer revela, por exemplo, que costuma fechar mais publicidade com marcas que não são relacionadas ao mundo dos jogos do que dentro do seu próprio nicho.

"A gente não consegue se ver em todo canto, sabe. Tem um monte de coisa gigante acontecendo e a gente nunca tá lá. Então assim, falar que é inclusivo, não é", afirma.

Rebeca acredita que seu sucesso, assim como o de outras streamers drags tem ajudado na comunidade pelo menos na questão de representação. "Tenho um projetinho, que é conseguir um dia fazer, ter a minha própria game house só com pessoas LGBTQIA+."

A importância de ser drag com a identidade

"Me considero uma pessoa hoje não-binária. Então eu não tô nem lá e nem cá, ou ao mesmo tempo fluindo entre ser e não ser. Acho que gera muito esse questionamento quando a gente começa a se montar, com relação ao nosso gênero e a quem a gente realmente quer ser. E eu acho que junto com isso traz essa descoberta de você realmente ser ou não ser uma mulher. Ou se entender no seu espaço, no que você tá fazendo naquele momento."

A série "Agora Ela Foi Longe Demais"

A nova série em vídeo do Yahoo traz perfis de quatro drags influencers que vão além do que as pessoas esperam das drags, como perfomances na música e dança. Elas ainda utilizam sua influência para tratar de temas importantes, como aceitação, educação, política e mais.

O nome é inspirado no meme que ironiza os críticos da cantora Pabllo Vittar.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos