Streaming de filmes clássicos e cults ligado ao cine Belas Artes estreia em outubro

TETÉ RIBEIRO
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 02.10.2018: André Sturm durante evento em São Paulo. (Foto: Marcus Leoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com investimento de dois milhões de reais e patrocínio da mesma marca de cerveja que apoia o cinema do qual é dono, André Sturm vai se aventurar no digital, com o lançamento do canal de VOD Petra Belas Artes a la Carte.

Serão pouco mais de 100 títulos no começo, e toda quinta-feira entram quatro novos. A aposta é oferecer ao espectador filmes que não estão em nenhum outro canal de streaming, que desapareceram com o fim das locadoras de vídeo.

"Teremos três blocos principais, os classicões, com os filmes de Federico Fellini, Bernardo Bertolucci, Ingmar Bergman etc. Aí tem os mais recentes, que acabaram de sair de cartaz e os que mais me instigam, os cults, longas que não são necessariamente de um diretor incrível, não são super comerciais mas são legais de ver, como "O Casamento de Muriel", com a Toni Collette, "Longe do Paraíso", com a Julianne Moore e o Dennis Quaid", "O Pequeno Buda", do Bertolucci, o francês "O Gosto dos Outros", "Possessão", com Isabelle Adjani e outros."

Além desses, Sturm terá uma seleção de ultra clássicos, filmes mudos como as comédias do americano Buster Keaton (1895-1966) e "Aurora", do alemão F.W. Murnau (1888-1931). "Faço questão", afirma.

O canal vai cobrar uma assinatura mensal de R$ 9,90, mas também terá a opção de pagar filme por filme, com preços que estarão entre R$ 4,90 e R$ 9,90. "Há 5500 municípios no Brasil, mas só 500 tem cinemas. E dessas, umas 350 tem um multiplex e só. É muito raro ter uma opção de cineclube ou um cinema com programação diferente", diz Sturm.

A partir de janeiro, uma obra estreará ao mesmo tempo no cine Belas Artes e no streaming, com a cidade de São Paulo bloqueada para não desestimular o público que iria ver na tela grande.

"Apesar disso, não acho que ninguém deixe de ir ao cinema para ver um filme na televisão. A pessoa deixa de ir porque não está com vontade de sair de casa. É que nem futebol, tem jogo no sábado o dia inteiro, mas os estádios continuam lotados", afirma Sturm.   

A ideia principal é que o espectador saiba mais ou menos o que procura ao chegar nesse canal. "Ninguém vai precisar gastar 20 minutos procurando o que assistir, como acontece hoje em dia", diz. Será como uma extensão do cine Belas Artes, que tem um perfil bem definido. "Se você é fã da Marvel, nem perca seu tempo", reconhece o dono.

O desafio agora é chegar ao público-alvo. Sturm e sua equipe usarão anúncios no cinema, assim como nas redes sociais, mas ainda não sabem como chegar aos cinéfilos de mais de 60 anos, gente que não tem companhia para ir ao cinema ou não gosta mais de sair de casa e não usa redes sociais. "Estamos procurando meios de chegar a essas pessoas, ainda não tenho essa resposta".