‘Stranger Things’: se nova temporada não te emocionar, procure um médico

(Imagem: divulgação Netflix)

É bom já reservar oito horas livres a partir desta quinta-feira, 4, quando a terceira temporada de ‘Stranger Things’ chega ao catálogo da Netflix. Os novos episódios são absolutamente viciantes e vai ser difícil você não querer tudo de uma vez.

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Ao final da maratona, fica a sensação de que a série criada pelos irmãos Duffer chegou ao auge, encerrando um ciclo. As coisas em Hawkins nunca mais serão as mesmas após a dramática conclusão, e não se surpreenda se sentir um nó na garganta quando chegar a esse ponto. É preciso ter coração de pedra para não se emocionar com o desfecho.

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Até lá, porém, tudo até começa de forma relativamente leve: o sol de verão brilha e um shopping recém-inaugurado é o ponto de encontro dos habitantes, e um cenário colorido para boa parte da ação.

A turma de crianças (já não tão crianças assim, diga-se de passagem) está agora um pouco mais dividida, com os interesses migrando dos jogos de RPG e videogames para as primeiras paixões, e a maiores preocupação do policial Jim Hopper (David Harbour) é o romance entre entre Eleven (Millie Bobbie Brown) e Mike (Finn Wolfhard), além de tentar convencer Joyce Byers (Winona Ryder) a sair para jantar. Não demora para as coisas ficarem sérias.

Trama de espionagem

Conforme a trama dos episódios inéditos vai se revelando, fica claro que a data escolhida para o lançamento da temporada, o feriado de independência dos EUA, não é coincidência. A história tem um pano de fundo ufanista, bebendo na fonte dos filmes de ação da década de 80, em plena Guerra Fria, quando os estrangeiros do Leste Europeu eram retratados como vilões.

‘Amanhecer Violento’, longa de 1984 no qual Patrick Swayze vive um jovem que pega em armas para defender sua cidade do interior do exército de invasores estrangeiros, é citado diretamente um par de vezes. Trata-se de uma camada a mais para ‘Stranger Things’, que até então tinha como referência principal obras do universo fantástico, como ‘Os Caça-Fantasmas’ e ‘E.T. - O Extraterrestre’, agora também com um toque de filmes de zumbi, como o terror ‘Dia dos Mortos’, de George A. Romero.

Jim Hopper assume de vez nesta temporada o modo Bruce Willis em ‘Duro de Matar’. Escancara uma personalidade durona e sarcástica, o tipo de herói imperfeito que o público adora torcer. Já o núcleo formado por Dustin (Gaten Matarazzo), Steve (Joe Kerry) e a nova personagem Robin (Maya Hawke) se transforma numa improvável trupe de espiões, decifrando códigos secretos e entrando de penetra nas instalações ao melhor estilo ‘Missão: Impossível’.

(Imagem: divulgação Netflix)

Protagonismo feminino

‘Stranger Things’ também volta com ainda mais mulheres em destaque. Eleven ganha as primeiras lições de sororidade nas conversas com Max (Sadie Sink), que a ajudam a desenvolver uma personalidade própria, incluindo um novo visual.

Até mesmo a irmã caçula do garoto Lucas (Caleb McLaughlin), Erica (Priah Fergunson), ganha destaque e importância fundamental no desenrolar dos acontecimentos, sempre com um comentário ácido na ponta da língua.

Enquanto isso, Nancy (Natalia Dyer) sofre com piadas machistas e insinuações inadequadas em seu ambiente de trabalho, a redação do jornal local de Hawkins. Disposta a provar seu valor, ela sofre e é incompreendida até mesma pelo namorado, Jonathan (Charlie Heaton). Uma cena em que recebe o apoio da mãe (Cara Buono) é um dos momentos mais emocionantes da temporada.

Sacrifícios

Por mais que os novos episódios tenham seus instantes mais intimistas, também há sequências de ação grandiosas, e em profusão. O clímax do quarto episódio, numa sauna, tem uma briga tensa, de prender a respiração. Os brinquedos de um parque de diversão viram palco de tiroteios e perseguições no sétimo episódio e o Starcourt Mall, o tal shopping center de Hawkins, é convertido num verdadeiro campo de batalha, aterrorizado por uma criatura que faz o Demogorgon parecer inofensivo.

Quando templos de lazer e diversão estão sob ataque, não existe lugar seguro. E ‘os roteiristas têm a coragem de tomar decisões surpreendentes no final, sem medo de traumatizar o público infanto-juvenil que também acompanha a série. Não existe vitória sem dor ou sacrifício, e a meninada de Hawkins vai aprender isso da maneira mais difícil.

Por mais que nada em ‘Stranger Things’ seja extremamente original - algo que já está posto desde a estreia, em 2016 -, a terceira temporada tem como mérito arriscar mais para sair da zona de conforto, abrindo o leque de fontes nas quais vai buscar inspiração e criando cenas com potencial para surpreender até o espectador mais cético. Se pensarmos que esse é o carro-chefe de uma marca poderosa como é hoje a Netflix, tomar o caminho menos seguro não é pouca coisa.