"Strange New Worlds", nova série de "Star Trek", leva fãs de volta à velha Enterprise

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos de explorar novos mundos, pesquisar novas vidas e novas civilizações, audaciosamente indo aonde ninguém jamais esteve". A melhor sinopse de "Star Trek: Strange New Worlds", a mais nova série da venerada franquia de ficção científica, foi escrita pouco menos de 56 anos atrás. É uma literal volta às origens.

O programa, que estreia no Brasil na próxima sexta-feira (6) pelo serviço de streaming Paramount+, vai acompanhar as viagens do capitão Christopher Pike e sua tripulação a bordo da famosa nave, anos antes de James T. Kirk (vivido por William Shatner nos anos 1960) assumir o posto. E a equipe de produção, liderada pelos showrunners Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers, conseguiu o que pareceria à primeira vista impossível --capturar de forma visceral a essência da série clássica, sem os elementos que a deixam datada.

É quase um esforço no sentido oposto ao que foi feito com "Star Trek: Discovery", lançada em 2017 com o propósito de atualizar a linguagem da franquia cinquentona para o formato televisivo do século 21, mais denso e serializado. "Strange New Worlds" faz o caminho inverso, resgatando o entusiasmo, o otimismo e o formato que sempre cercaram a série original criada por Gene Roddenberry, sem contudo perder o verniz de produção moderna.

A começar pela volta de histórias episódicas, algo que foi visto como muito importante entre todos os envolvidos na nova série. "O motor de 'Star Trek' é a grande ideia da semana", disse Anson Mount, ator escolhido para viver o capitão Pike. "Algumas pessoas chamam de 'o planeta da semana', mas é a grande ideia. Acho que a televisão em seu melhor funciona como uma plataforma metafórica em que podemos falar sobre outras coisas. E, quando você faz um programa serializado, não há muito espaço para a grande ideia da semana."

Mount se destacou ao aparecer na segunda temporada de "Discovery" como Pike, recuperando um personagem que havia aparecido apenas no primeiro piloto da série original, descartado então pela rede de televisão americana NBC. Mudanças foram feitas para um segundo piloto, e o capitão Pike (vivido então por Jeffrey Hunter) foi substituído pelo Kirk de Shatner. Então a série decolou.

O piloto rejeitado acabou tendo parte de seu material reaproveitado em um episódio duplo da série antiga, dando margem à ideia de que a Enterprise teve outro capitão antes de Kirk. Em essência, como brinca o produtor executivo Alex Kurtzman, é o maior hiato entre produção de piloto e contratação da série na história da televisão --mais de meio século.

STAR TREK: STRANGE NEW WORLDS

Quando: estreia na sexta (6)

Onde: Paramount+

NOVOS VELHOS ROSTOS

"Strange New Worlds" traz de volta personagens que apareceram no piloto rejeitado, como a misteriosa Número Um, antes interpretada por Majel Barrett, agora por Rebecca Romijn, e Spock, imortalizado por Leonard Nimoy e agora vivido em sua versão mais jovem por Ethan Peck (neto do astro clássico do cinema Gregory Peck).

Além disso, o programa explora tripulantes que só apareceriam na série original, como a oficial de comunicações Uhura (antes Nichelle Nichols, agora Celia Rose Gooding), a enfermeira Chapel (antes Majel Barrett, agora Jess Bush) e o médico M'Benga (antes Booker Bradshaw, agora Babs Olusanmokun), oferecendo muito mais substância a esses rostos clássicos.

Para completar, três personagens inteiramente novos: a piloto Erica Ortegas (Melissa Navia), a oficial de segurança La'an (Christina Chong) e o engenheiro-chefe Hemmer (Bruce Horak).

Uma diferença marcante com relação à série original, por sinal, está no tratamento dado aos personagens. Enquanto a versão dos anos 1960 focava no triunvirato Kirk-Spock-McCoy, "Strange New Worlds" é bem mais igualitária na atenção dada a seu elenco. E a narrativa preserva o que os produtores estão chamando de "serialização emocional" para a série --embora cada episódio traga uma aventura inteiramente nova, vemos os personagens evoluindo e lidando com as consequências de cada uma dessas jornadas.

Fora isso, chega a impressionar como foi possível capturar tanto do espírito da produção original. A reportagem teve acesso aos cinco primeiros episódios, e todas as marcas da versão tradicional estão por lá. A começar pela própria Enterprise.

Obviamente, os cenários e a aparência externa da nave foram repaginados, saltando de uma produção de baixo orçamento dos anos 1960 para uma série premium da década de 2020. Mas o que impressiona é a preservação dos traços marcantes da antiga versão na nova: o colorido, a iluminação e o sabor de futurismo de meados de século 20 que marcaram o programa sessentista estão lá, fazendo com que velhos fãs se sintam em casa.

Da mesma maneira, o humor e a euforia contagiante das antigas aventuras se manifesta nessa nova encarnação, que trará histórias de todos os matizes vistos nos anos 1960 (inclusive criando prelúdios para segmentos específicos da série clássica, fazendo jus à proposta de prequela). Há visita a planetas alienígenas com desenvolvimento paralelo ao da Terra (ótimo recurso para fazer crítica social no contexto de ficção científica), há lances de "patrulha espacial", há visita a ambientes inóspitos (cometas com artefatos alienígenas, buracos negros e anãs marrons estão no cardápio dos primeiros episódios) e há até mesmo comédias de situação (pense numa versão espacial de "Se Eu Fosse Você").

Toda a versatilidade, inteligência e charme da série antiga parecem ter sido transplantadas diretamente para "Strange New Worlds". Ao longo das últimas décadas, muitas séries com a marca "Star Trek" foram criadas, mas nenhuma delas ousou chegar tão perto da clássica, em linguagem ou espírito. Para a velha guarda, será uma volta ao lar. Para os novos fãs, uma chance de descobrir por que a franquia cinquentona não dá sinais de que vá perder tão cedo a relevância ou o lugar de destaque na história da televisão.

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