No STF, postura de Bolsonaro contra Celso de Mello é considerada ‘errática’ e ‘absurda’

Debora Álvares
Presidente postou trecho da lei de abuso de autoridade interpretada por autoridades como um recado a Celso de Mello, relator no STF do inquérito que investiga as acusações de Sergio Moro contra ele.

Alvo de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que está nas mãos do decano, Celso de Mello, o presidente Jair Bolsonaro tem elevado cada vez mais o tom contra o Judiciário e, neste fim de semana, mandou recados à Corte. Participou de uma manifestação em Brasília em que havia cartazes com críticas ao STF, mas também publicou um trecho da lei de abuso de autoridade, entendido como uma indireta ao ministro mais antigo do Supremo. 

De acordo com interlocutores palacianos, a tentativa do presidente é buscar o descrédito do ministro, de forma a levantar sua suspeição para julgar a ação que corre no STF contra si a partir das acusações feitas pelo ex-ministro Sergio Moro. 

Ministros com quem o HuffPost conversou nesta segunda (25) saíram em defesa de Celso. Destacaram que, ao publicizar o vídeo da reunião ministerial do dia 22, ele liberou uma informação “objeto da investigação” e que o argumento de abuso de autoridade se aplica apenas para “vazamentos impróprios”. Entre os adjetivos usados para se referir às recentes declarações de Bolsonaro à Corte estão “absurdo” e “errático”.

Ao suspender o sigilo do vídeo, destacou um dos ministros, Celso de Mello inclusive levou em conta “ponderações da Presidência sobre trechos que poderiam afetar a diplomacia com outros países”. Na gravação divulgada na sexta (22), foram suprimidos pequenos trechos em que havia menção à China e ao Paraguai. 

Nos bastidores do STF, porém, não se crê que qualquer afronta de Bolsonaro fará com que o decano recue de sua postura no inquérito. Celso é conhecido por ser um ministro apaziguador, frequentemente lembrado como da ala garantista, defensor das garantias legais dos acusados para que possam recorrer em liberdade até o último recurso judicial, mas com decisões consideradas rígidas. Seus votos no mensalão, por exemplo, são sempre...

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