Apesar da crise, startups receberam R$ 12,3 bilhões em investimentos em 2020

Matheus Mans
·4 minuto de leitura
Foto: Getty Images
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A economia brasileira sofreu uma queda em 2020, especialmente em decorrência da pandemia do novo coronavírus. No entanto, se há um setor que ainda pode comemorar este ano já considerado perdido por muitos, é o de startups. De acordo com relatório da Inside Venture Capital, as elas receberam, entre janeiro e setembro de 2020, uma injeção de R$ 12,3 bilhões de investimentos. Em 2019, o total investido foi de R$ 12,9 bilhões: nos meses restantes, esse valor pode ser ultrapassado.

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Só em setembro, fundos investiram R$ 4,7 bilhões em startups brasileiras, representando um aumento de 65% em relação ao mesmo mês de 2019, em que foram investidos R$ 2,8 bilhões e quase 800% a mais que no mesmo mês de 2018, quando foram injetados cerca de R$ 528 milhões.

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“Se olharmos os últimos dois ou três anos, os números atuais são extremamente elevados, inclusive maiores que os de 2018”, contextualiza Igor Piquet, diretor de aceleração de negócios da Endeavor, aceleradora e organização de apoio a empreendedorismo. “A razão é o fato de que investimento em empresas inovadoras e de tecnologia vem sendo uma das principais forças motrizes no cenário mundial de empreendedorismo e investimentos.”

Cenário favorável para investimentos

Especialistas, investidores e empresas do mercado apontam vários motivos que fizeram com que o setor de startups não colocasse os pés no freio mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. A Bossa Nova Investimentos, maior fundo de investimentos em startups em estágio inicial da América Latina, aumentou em 80% os cheques do primeiro semestre.

Rafael Ribeiro, diretor de operações da Bossa Nova Investimentos (Foto: Divulgação)
Rafael Ribeiro, diretor de operações da Bossa Nova Investimentos (Foto: Divulgação)

“São naturalmente negócios que se alimentam de problemas. Temos grandes exemplos que nasceram em crises”, diz Rafael Ribeiro, diretor de operações do fundo. “Muitas empresas precisaram digitalizar rapidamente e isso deu fôlego às startups que conseguiam resolver problemas de logística, eventos, gerenciamento de equipes, RH, etc. Tudo com velocidade.”

Há outro fator determinante: a desvalorização do real frente à outras moedas estrangeiras, como o dólar e o euro. Fica mais fácil para empresas e investidores de fora colocarem seu dinheiro aqui, onde podem operar com risco de perdas menor.

“O Brasil, em si, não é reconhecido como um país forte no investimento em tecnologia e startups, então o capital estrangeiro é importante para a inovação no país”, afirma Igor, da Endeavor. “Com esse movimento, existem agora mais possibilidades de acessar capital, porque há mais investidores olhando para o país e para o setor de tecnologia, com capital de risco”.

Além disso, muitas empresas viram suas receitas caírem e, consequentemente, o valuation — como é chamado o valor de mercado de empresas. Agora, investidores e fundos de capital de risco conseguem desembolsar valores menores por fatias maiores dessas startups.

Quem aproveita o momento

Ao falar com empresas do setor, porém, percebe-se também motivos ainda mais reais para aportes no período. Algumas, por exemplo, precisaram de um cheque para manter o negócios. A Asksuite, uma plataforma de hotéis, pegou um crédito preventivo no início da crise e, depois, recebeu um aporte de R$ 4 milhões. “Com a chegada da pandemia, tivemos que nos preparar para cenários incertos e sombrios”, diz Danilo Pavei, COO da startup.

“Os objetivos do aporte foram passar pela crise com mais segurança e investir pesado em produto e no crescimento do mercado externo”, afirma o executivo, ao ser questionado sobre o valor investido na startup. “Com o aporte, sinalizamos aos nossos clientes que, além de sobreviver, vamos investir muito no produto, na qualidade do atendimento e continuar crescendo, e que estamos do lado dos hoteleiros ajudando-os a superar esta crise.”

Eládio Isoppo, CEO e cofundador da startup Payface, de pagamentos por biometria facial, chama a atenção também para negócios que foram fortalecidos pelo “novo normal” durante a pandemia. “O apetite dos investidores está muito grande para soluções que estão desenhadas para à nova realidade a qual todos tivemos que nos adequar rapidamente”, disse o executivo, que comemora investimento de R$ 3 milhões bem no meio da pandemia.

Luiz Gustavo Borges, CEO da Congresse.Me (Foto: Divulgação)
Luiz Gustavo Borges, CEO da Congresse.Me (Foto: Divulgação)

O mesmo foi com a Congresse.me, startup de eventos online. Eles já tinham bons números antes mesmo da pandemia, mas os protocolos de quarentena aceleraram o processo. “Começamos a escalar, crescer de maneira acelerada de um mês para outro e, por fim, levantamos o aporte em julho”, conta Luiz Gustavo Borges, CEO da startup que recebeu investimento de R$ 1,1 milhão.

"Se em algum momento da pandemia ficaram receosos, a retomada têm sido animadora”, finaliza.

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