Pandemia abre espaço para startups que flexibilizam benefícios de trabalho

Fernanda Vasconcelos
·3 minuto de leitura
Foto: Getty Images
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A quarentena trouxe uma série de mudanças na dinâmica do trabalho. Uma clara e óbvia é o fato de muitos funcionários não precisarem comer fora de casa e por isso estarem acumulando créditos em seus vales refeição. Poderia ser diferente? A aposta de algumas startups é sim, a gestão de benefícios vai mudar e o coronavírus veio para acelerar esse processo.

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Esse é o caso da Vee, que oferece como mote a flexibilidade de uso dos benefícios pelos funcionários de seus clientes. Com o cartão da empresa em mãos, o empregado pode escolher continuar gastando em restaurantes ou pagar por uma conexão de internet mais rápida, pode ainda usar para ver filmes em plataformas de streaming ou estudar.

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“Com um cartão de crédito da bandeira Mastercard, o funcionário pode optar por assinar a Netflix, por exemplo, já que está ficando muito em casa. E se voltar para o escritório, gastar em restaurantes ou uber, 99, etc.”, conta o CEO e um dos fundadores da empresa, Raphael Machioni.

Segundo o executivo, a pandemia mudou completamente o hábito de consumo das pessoas e plataformas como a Vee vieram provar que é preciso repensar o que é oferecido como benefício. Uma pesquisa feita por eles mostra que, entre os dias 1 de abril e 31 de maio, o uso do cartão com mobilidade caiu 3,67%, enquanto o volume de pedidos de comida em casa cresceu 24%, com acréscimo de 19,3% na quantia média utilizada. O uso percentual de transações utilizando benefícios para arcar com despesas de internet e energia aumentou em 229%, com uma alta de 189% no valor. E ainda a pesquisa indicou que aumentou 300% o uso em opções ligadas à cultura, como compra de livros e filmes.

Com a pandemia, então, a Vee viu seu crescimento ultrapassar 30% mês a mês. A empresa foi idealizada em 2017 e começou a operar em meados do ano passado.

Para se ter ideia, no fim de maio, a Vee gerenciava 8 mil vidas (beneficiários) em seus 110 clientes. Até a terceira semana de junho, já tinham subido para 10 mil em quase 200 clientes. “E estamos fechando novos contratos com empresas grandes que vão aumentar em muito nosso quadro de beneficiários”, afirma Machioni.

Outra plataforma semelhante, a Caju, oferece essa mesma flexibilidade com a bandeira Visa no cartão e também viu um crescimento vertiginoso dos negócios com a chegada do coronavírus no país. “O Covid-19 acelerou um processo que acreditávamos ir mudando mais paulatinamente”, afirma o CEO e um dos idealizadores da empresa, Eduardo del Giglio.

Junto com Renan Mendes, Giglio colocou em funcionamento a Caju no início deste ano e já conquistou 250 clientes, com 7 mil funcionários.

Com esse tipo de plataforma, o empregador não tem aumento de custo, ao contrário, não paga absolutamente nada. A remuneração ocorre por meio de uma taxa repassada pela bandeira do cartão a cada compra. E a empresa contratante pode definir o percentual que o funcionário usará em cada categoria, a depender por exemplo de um acordo sindical, ou deixar o valor completamente livre. “Só não é possível comprar itens que não sejam considerados benefícios, como roupas, por exemplo, porque dessa forma configuraria complementação salarial”, diz Giglio.

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