Com mercado de R$ 38 bilhões, startups miram odontologia


Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Tentando diminuir os incômodos, a espera e os gastos em consultórios de dentistas, startups brasileiras estão entrando com força no setor da odontologia. Com soluções para gestão, comunicação e até novos tratamentos estéticos, essas empresas buscam levar inovação num setor que já movimenta impressionantes R$ 38 bilhões ao longo do ano.

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E não é à toa: o Brasil é o país com o maior número de dentistas no mundo. São 310 mil profissionais, concentrando cerca de 19% de todos os dentistas do globo, segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO). Ou seja: em termos de mercado, é o melhor país para iniciar transformações num setor engessado e que trabalha da mesma forma há anos.

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“Tivemos vários ganhos tecnológicos nos últimos anos, como ferramentas mais rápidas e portáteis para exames, e facilidade na documentação odontológica. Mas nada mudou o nosso mercado como um todo”, afirma Leonor Macedo, professor de odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais. “Temos potencial de comandar mudanças globais”.

Aparelhos transparentes: a nova sensação

Uma inovação que vem surgindo cada vez com mais força é a de alinhadores dentais transparentes. Substituta dos odiados aparelhos fixos de metal, essa tecnologia conta com uma consistência mais elástica e mais resistente. Quando está fixado nos dentes, faz força pra pôr o sorriso no lugar, com a diferença de ser “invisível” e móvel.

Quem briga pela liderança desse setor no Brasil são as startups Smilink e SouSmile. As duas empresas estão com um grande desafio em suas mãos e sorrisos: explicar às pessoas o que é a tecnologia e tentar, de alguma forma, diminuir a barreira do preço.

Na Smilink, por exemplo, o valor do alinhador varia de caso a caso. Mas a empresa diz que são feitos 1,2 mil atendimentos ao mês, com tíquete médio entre R$ 4 mil e R$ 6,4 mil.

Luis Calicchio, CEO e fundador da UDlab (Foto: Divulgação)

“Sabemos que temos um competidor no mercado. Queremos nos destacar tendo a melhor qualidade, o melhor alinhador”, disse Marcos Boysen, CEO da Smilink. “Também queremos democratizar o acesso pelo Brasil. Entendemos que há regiões sem condições, sem acesso. Mas trabalhamos pra melhorar o custo. Hoje não é barato, mas não é caríssimo”.

Na SouSmile, enquanto isso, o valor é fixo: a startup cobra quase R$ 3,9 mil pelo alinhador. A ideia é fazer com que o processo fique mais transparente e igual entre usuários.

“Unimos os mundos da saúde, da tecnologia e do marketing para trabalharmos com um tipo de produto que resolve a dor de milhares de pessoas”, afirma Michael Ruah, português e CEO da SouSmile. “Agora as coisas estão mudando. As faculdades estão começando a ensinar sobre novas tecnologias e os usuários querem o mais moderno em seus dentistas."

Comunicação

Apesar da briga acirrada entre as startups de alinhadores, a inovação em odontologia vai além. A UDLab, por exemplo, é uma plataforma que conecta dentistas com laboratórios de próteses. A ideia é facilitar a comunicação entre as partes, muito prejudicada ao longo dos últimos anos por conta de tratamentos artesanais e uma falta de acesso total à tecnologia.

A startup automatiza todos os pedidos de próteses: da descrição e desenho, passando pelo processamento de pagamento, até a data de entrega para o dentista. Ela também permite personalização do pedido com especificidades técnicas, como cor e material da prótese, e o envio de foto e vídeo da arcada de cada paciente.

Sergio Aronis, CEO e fundador da Dentalis (Foto: Divulgação)

“Queremos mostrar aos dentistas, laboratórios e empresas que a facilidade de comunicação, interação e compra de produtos e serviços também pode acontecer de forma eficiente em um mercado tão tradicional e analógico”, afirma o CEO da UDlab, Luis Calicchio. “A mudança no hábito dos profissionais está sendo o desafio da UDlab”.

A empresa já conta 800 dentistas e 200 laboratórios cadastrados na plataforma. Até o final de 2020, a startup quer fazer 17 mil pedidos via aplicativo da UDlab em todo o Brasil.

Calicchio ressalta que o caminho não é fácil — apenas 2%  do mercado ortodontista brasileiro é digital. “O mercado de startups de odontologia ainda é pequeno. Mas os investidores já perceberam o potencial deste mercado brasileiro e começam a sondar investimentos”, diz.

Por fim, estão as empresas que buscam melhorias internas de comunicação. É o caso da Dentalis, que oferece uma plataforma de gestão em nuvem para gestão da clínica. É possível, dentre outras coisas, trabalhar com agendamentos e até simplificar as finanças da empresa, podendo emitir boletos diretamente da plataforma e realizar pagamentos.

Hoje são 17 mil clientes, representando 36% do mercado nacional de softwares para clínicas. “Há alguns anos o mercado de odontologia tem se aberto a inovações, tanto no quesito clínica, quanto na área de gestão”, afirma Sergio Aronis, CEO da Dentalis.

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