Sportstech: conheça as startups brasileiras que unem tecnologia e esporte

Goleiro de Aluguel é uma das maiores sportstech do Brasil (Foto: Divulgação)

Por Matheus Mans

O cenário de sportstech ainda é pequeno. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), são apenas 61 empresas que atuam no mercado esportivo por meio de tecnologia e inovações de mercado. No entanto, alguns casos de sucesso começam a chamar a atenção do setor e a fazer com que mais empreendedores olhem para o esporte.

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Das 61 empresas, 22 estão em período de tração. Enquanto isso, nos Estados Unidos, já são 2,5 mil startups com crescimento de investimento de 140% entre 2016 e 2018, segundo a consultoria SportstechX. “Antes, os alunos saíam da faculdade achando que só poderiam trabalhar na academia ou escola. Agora, eles já pensam no empreendedorismo esportivo”, contextualiza José Prado, professor de educação física da FMU-SP.

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Um dos casos de maior sucesso do setor é a criativa startup Goleiro de Aluguel. Fundada por Samuel Toaldo e Eugen Braun, a empresa conecta times amadores de futebol com goleiros ociosos. A ideia é evitar que algum jogador seja obrigado a defender os chutes. “É ruim tomar bolada, fica na trave. Queremos uma nova cultura”, afirma Toaldo.

Para isso, goleiros se cadastram na plataforma e cobram um determinado valor por hora de jogo. Depois, é só agendar o horário, avisar o local e esperar pelo goleiro, como se fosse um Uber. O time, no final, vai avaliar o profissional das luvas e a startup de Toaldo e Braun, enquanto isso, ganha uma porcentagem em cima do valor pago ao goleiro de aluguel.

“Por volta de 2016, alugávamos cerca de 300 goleiros ao mês. Hoje, estamos chegando a 6 mil goleiros alugados no Brasil, todos os meses”, explica Toaldo. Segundo ele, são cerca de 50 mil cadastros de goleiros e 33 mil de contratantes. Mas há mais espaço. “Em 30 dias, no Brasil, acontecem 1 milhão de partidas de futebol. 60% estão com problemas de goleiro”.

No futuro, a startup quer internacionalizar as operações. Antes, vai concretizar o modelo de vez no Brasil. “Em 2020, queremos alugar 130 mil goleiros durante o ano”, finaliza.

Conexão de oportunidades

Outras startups também estão surgindo no mercado para facilitar a conexão entre pessoas no esporte. A Tero, fundada no final de 2018 e com mais de 8 mil cadastrados na plataforma, surgiu com o propósito de conectar atletas com oportunidades dentro do esporte, como treinadores, educadores físicos, scouts, universidades e clubes.

“O atleta cria uma espécie de perfil no LinkedIn, mas com foco em suas realizações e números no esporte”, comenta o empreendedor Bruno Pessoa, fundador da Tero, e que teve a ideia da empresa após fazer carreira no futebol. “Depois disso, fazemos uma avaliação, realizamos uma filtragem e conectamos com as melhores oportunidades”.

Bruno Pessoa, fundador da Tero, que conecta atletas a preparadores físicos e patrocínios (Foto: Divulgação)

A Atletas Now também atua no mesmo sentido ao tentar conectar todas as pontas do esporte num único lugar. Além disso, também busca patrocinadores para atletas profissionais.

“Um atleta do interior do Brasil, por exemplo, não tem a mesma oportunidade de conexão que outros profissionais. Queremos resolver a falta de visibilidade ou de comunicação”, afirma José Pedro Mello, ex-jogador de basquete e CEO da startup, que hoje já tem 5,2 mil usuários. “Queremos ser usados como ferramenta para se encontrar novas oportunidades”.

Futuro

Por enquanto, a maioria das sportstech transita no setor de conexões entre partes. O futuro promete ser ainda mais promissor — e complexo — para o esporte.

“O VAR vai se tornar mais inteligente e interessante”, afirma Luís Perez, pesquisador de novas tecnologias no esporte. “A inteligência artificial vai entrar no meio do campo, seja de qual esporte for. O objetivo é que a tecnologia e a inovação somem ao esporte. Não dá para imaginar um robô ou algo do tipo fazendo com que a experiência do torcedor e atleta piore”.

Para Toaldo, da Goleiro de Aluguel, o cenário é o mais positivo possível para todas as startups que entrarem no setor. “O futuro é promissor, principalmente no futebol, mas vai ser muito bom também para os esportes com pouco orçamento. Ferramentas e sistemas poderão analisar dados de atletas sem gastar muito, em várias categorias”, concluiu.

Passos, da Tero, alerta que é preciso haver uma transformação em todo setor para que a inovação chegue de vez ao esporte. “Os clubes não são tratados como empresas. Não dá pra ter profissionalismo, investimentos. Como vamos colocar tecnologia dentro?”, questiona o empreendedor.