The Specials lança álbum com versões de músicas de protesto do século XX

·3 minuto de leitura
Apresentação do grupo The Specials no Hyde Park, Londres, em 12 de agosto de 2012 (AFP/ANDREW COWIE)

Quarenta anos após o lançamento da canção "Ghost Town", o veterano grupo britânico The Specials volta com força, lançando um álbum de covers, fiel a sua fibra social e rebelde.

Casas noturnas fechadas, músicos sem futuro: a canção de 1981 retratava uma Inglaterra em crise, um cenário que pode ser transportado para a atualidade, devido à pandemia da covid-19 e a seu impacto socioeconômico.

"É uma canção que captou o espírito da época e que continua atual. Dizem que todo mundo cantava essa música no primeiro confinamento em Nova York", declarou à AFP o baixista do grupo, Horace Panter, em uma entrevista virtual de sua casa na região central da Inglaterra.

Desta maneira, não surpreende tanto que os Rolling Stones tenham lançado a música "Living In A Ghost Town", em abril de 2020.

"As pessoas me falavam 'Os Stones roubaram sua música' (risos). E eu respondia: 'Mas o que vocês estão dizendo, são os Stones, eles fazem o que querem'. Acho que é o que eles realmente queriam ouvir", afirma o músico, muito tranquilo.

Com versões de canções de protesto, o novo álbum do grupo de Coventry, "The Specials, Protest Songs, 1924-2012", é um dos pequenos milagres na trajetória errática do grupo.

Em uma canção, o vocalista, Terry Hall, depressivo, revelou que foi vítima de pedofilia durante uma viagem escolar à França.

The Specials se separou logo após o lançamento do segundo álbum, no início dos anos 1980, e retomou a carreira com formações diferentes.

Em 2019, o grupo surpreendeu com um novo álbum, "Encore", com Hall, Lynval Golding (guitarrista) e Panter, o mesmo núcleo do disco de 2021. Na semana passada, eles tocaram com nove integrantes, incluindo músicos de apoio.

Questionado sobre a origem do álbum de covers, Panter brinca: "Quando um grupo não tem mais ideias, ele faz versões".

"2020 foi o ano dos movimentos sociais, de todo tipo. Pensamos em fazer versões sobre isso", completa, de maneira mais séria.

O movimento Black Lives Matter inspira o grupo, uma banda multiétnica que fez do antirracismo sua bandeira.

"Não iríamos simplesmente cantar 'Give Peace A Chance' (de John Lennon). A gente tinha de ir mais longe, aprofundar", explica Panter. "Pesquisamos, foi quase um trabalho acadêmico", relata.

- Vidas repleta de baques -

Além da inevitável "Get Up, Stand Up", de Bob Marley, o grupo gravou suas versões de "Everybody Knows", de Leonard Cohen, e "Fuck All The Perfect People", de Chip Taylor.

Panter descobriu que Taylor, conhecido por ser o compositor de "Wild Thing", consagrada por Jimi Hendrix, escreveu esta canção depois de visitar uma prisão na Noruega. Taylor se reconheceu nas vidas repletas de baques dos prisioneiros.

Uma letra que também pode ser entendida como uma crítica aos "influencers" das redes sociais e suas vidas perfeitas pelas telas dos smartphones.

Embora as redes sociais representem uma "forma extraterrestre" para Panter, que teve problemas para se conectar à entrevista por computador, ele não as condena por completo.

"Eu falo isto desde meus 60 anos, mas meus pais devem ter pensado algo parecido quando me viram escutando 'Freak Out' (o álbum Mothers of Invention, do qual Frank Zappa era um integrante), o primeiro álbum que comprei quando eu tinha 15", diz, aos risos.

Em seu álbum, The Specials apresenta uma versão de "Trouble Every Day", composta por Zappa quando assistia na televisão a imagens de violência policial. O tema permanece atual.

pgr/grp/jz/meb/fp/tt

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos