Em SP, moradora cria lista de pequenos comércios do bairro para espalhar entre vizinhos

Apesar da determinação de fechamento, estabelecimentos tentam se manter fazendo delivery (Foto: AP Photo/Andre Penner)

Com a quarentena obrigatória decretada pelo governador de São Paulo, João Doria, todos os serviços não essenciais tiveram de ser fechados no estado. O decreto e a falta de pessoas na rua afetam os pequenos comerciantes, que tentam se adaptar nesse momento.

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Para ajudar os estabelecimentos da região onde vive, Leonor Macedo criou uma lista com mais de 200 serviços que atendem por delivery nos bairros de Perdizes, Pompeia e Vila Romana.

“Quando tudo isso começou, pensei em como afetaria os pequenos comércios que eu frequento. A padaria onde compro pão todos os dias, o mercadinho que sempre quebra nossos galhos, o restaurante armênio de um amigo, a hamburgueria que a gente chama o chapeiro pelo nome”, conta. Primeiro, ela pensou em ligar para os estabelecimentos para fazer o mapeamento, mas achou que seria pouco prático.

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A solução foi criar um formulário no Google para que outras pessoas pudessem colaborar e cadastrar pequenos negócios da região. O resultado forma uma planilha, que ela organiza.

Na planilha, que pode ser vista por qualquer pessoa, há abas que separam o tipo de estabelecimento: há restaurantes e bares, mercado, padaria, açougue, lojas de animal, farmácia, lojas de orgânicos, docerias e outros. “Não restringi nenhum tipo de serviço porque, ainda que algumas coisas sejam obrigadas a fechar e não sejam consideradas básicas, a ideia é que essa planilha siga viva depois de tudo isso para ajudar a reerguer esses profissionais autônomos.”

A divulgação é feita pelas redes sociais. Além de pedir apoio pelo Twitter, Leonor ainda separou um valor para impulsionar o formulário e também a planilha.

A resposta do público tem sido positiva. Leonor relata que, ao longo do dia, sempre há mais de 50 pessoas online consultando a planilha.

“O principal é que, realmente, que os vizinhos se conscientizem e comprem do pequeno comerciante. Sei que estamos comendo mais em casa, e isso é bom também. Mas quando o trabalho apertar, no sábado da pizza, quando der vontade de comer um hambúrguer ou uma esfiha, quando for preciso comprar verduras e legumes, carne ou qualquer item de mercado e farmácia, enfim, quando for preciso consumir, lembre-se dos seus vizinhos.” Leonor pede que as pessoas lembrem que os estabelecimentos de bairro são o sonho de uma vida inteira das pessoas. Para ela, esse tipo de ação não é apenas de cunho econômico, mas humano.

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A lista feita por Leonor é só para estabelecimentos dos bairros de Pompeia, Perdizes e Vila Romana, mas há iniciativas em outros bairros de São Paulo.

É o caso do grupo de Facebook “Tudo da Mooca”, que tem mais de 33 mil membros. Luciana Rodrigues é dona do restaurante Frangueteria e administradora da página, criada há três anos. Lá, pequenos negócios do bairro sempre tiveram espaço de divulgação e tem apoio dos moradores. “Estamos em campanha para os moradores procurarem os pequenos negócios”, relata.

“O grupo está bombando, as pessoas falam onde compram e a experiência. Estão surgindo novas formas de se fazer negócios”, avalia. Lá, os consumidores também dão dicas e compartilham experiências. Para Luciana, quando essa situação passar, os comércios locais que sobreviverem estão mais fortes.